Depois de um retiro isolado, Albert teve uma revelação. Um ser de luz lhe disse que ele era o escolhido para levar a paz ao seu próprio coração. Criou assim uma fé que não tinha ninguém mais que a si, Igreja da Solidão.
A ele pregava, a ele abençoava, a ele tirava maldição cobrando 10% ou mais do quinhão que ganhava. Vivia feliz consigo mesmo, onde fosse enviado, pregando a si mesmo que ele era o melhor líder religioso que tinha encontrado.
Mas se sabe, a carne é fraca, um dia ele caiu no pecado. Segundo seus preceitos foi condenado por ter com um membro de outra religião no caixa do supermercado. Tentou justificar argumentando que o outro era prosélito, em vão. A desculpa incoerente piorou a situação: "caberá dois na igreja da solidão?". O ato que em branco não passaria, pois fora da sua seita, gente boa não haveria, levou Albert a auto-expulsão. Pagando a pena imposta pela sua crendice, se revoltou achando aquilo tolice. Foi certo buscar em outras casas o pão que a sua lhe negou.
Mesmo em meio a multidão não se encontrou. Rodeado de pessoas pensava "sozinho ainda estou". Num vazio que nunca de fato encerrou, essa busca que se manifesta, vê que não tem saída, pede perdão e confessa: "Filho pródigo eu, aqui estou!". A ele mesmo aceitou como pecador arrependido e subjugado, nunca mais teria com o mundo falido de que tinha se apartado. A Igreja da Solidão prosperou, com a lei maior que Albert determinou: "apenas um membro", pastor e ovelha ao mesmo tempo, e com choro e Amém o culto se encerrou.
por Coronel Malaquias
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Coração de Jacaré
Sexta-feira 13 de Carnaval. Josmedir abusava da bebida.
Cachaça, caipirinha, cerveja, rabo de galo, maria-mole. Roubaram o coração da minha sogra, botaram coração de jacarééééé...,
animado pelas marchinhas, abraçava o mulherio e alguns marmanjos. Josmedir
adorava a folia.
Lá pelas tantas, trombou uma moça loura, novinha. Um tesão. O
papo colou. Josmedir bebeu mais um pouco. A coisa esquentou. Aqui não, tem muita gente, protestou a
menina. Pegou-o pela mão e o levou para longe dali. Passaram o asfalto,
entraram na mata e Josmedir viu um cemitério. Um cemitério que nunca pensou ter
existido por ali. Vem, convidou a
mocinha, deitada numa lápide, oferecendo-se toda. Tem que ser aqui, explicou.
Colocar-se em pé diante de tamanha intoxicação etílica foi
difícil, mas perfeitamente possível diante de algumas tentativas e o auxílio
prestimoso da lourinha. Saíram dali tão logo acabaram. Voltaram à festa e se
perderam entre os foliões. Josmedir acordou no dia seguinte, em sua cama, com
vagas lembranças do ocorrido.
Procurou-a por toda parte. No sábado, vislumbrou a cabeleira
loura entre um bloco de homens-cone. Correu para lá, mas não a alcançou. No
domingo, teve a certeza de que a ouvira chamar por ele. Passou a noite sóbrio,
olhando para os lados feito tonto. No corpo, jurava carregar o cheiro da
menina. Cheiro de flor, de vela derretida. Cheiro de cachoeira e de bicho que
vive no mato. De madrugada, sonhava. Via-a em todo lugar e, ao mesmo tempo, em
lugar nenhum.
Na última noite, sentiu uma mão em seus ombros. Atirou-se sobre
ela feito condenado. Beijava-a com sofreguidão, indagava sobre seu paradeiro. Estive por aí, simplificou. Voltaram ao cemitério, à mesma lápide,
onde Josmedir novamente a possuiu. Amaram-se e ele se deixou levar por uma onda
repentina. Como se acalentado em berço, dormiu.
Acordou na porrada, já com o dia claro e um cheiro
nauseabundo tomando conta. Estava deitado no chão, nu, sob botinadas dos
polícias. Foi levantado pelos cabelos e, entre gritos e sopapos, viu alguém
recolher um corpo acinzentado, sem cor de gente. A lápide estava violada. Em
sua cabeceira, uma foto da lourinha, seguida pela data de falecimento ainda
recente. Questão de semanas. Na delegacia, não conseguiu explicar algo que ele
mesmo jamais entenderia. No dia seguinte, os jornais noticiaram a prisão do ‘Necrófilo
do Embu’.
Por Guinea Pig
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Cabo de marfim
Parou com o cabrito no meio fio.
Distância segura, faróis apagados. O tempo seco garantia boa visualização. Os malas faziam a correria sem preocupação. Tudo deles, por ali. A
primeira fita foi com um casal. Entraram na casa, bateram no cara, folgaram e mamaram
nos peitos da patroa. Vazaram levando dois contos. Na rua, um nóia colou. O
alemãozinho saiu para buscar a parada. Do carro, acompanhou-o com os olhos até dobrar
a esquina. O negrão ficou. Ele e o nóia trocaram uma ideia. O alemão voltou,
entregou, pegou a grana. Saíram dali,
para dar um tempo e desbaratinar.
O segundo BO foi com família. Enfiaram o canhão na cara do moleque, tocaram o terror no pai, estapearam a mãe. Levaram roupas e uma merreca em grana. Dois roubos de cara limpa. Um loirinho e um moreno, mais para negrão. A arma em ambas as ocorrências: um 38 com cabo de marfim.
O segundo BO foi com família. Enfiaram o canhão na cara do moleque, tocaram o terror no pai, estapearam a mãe. Levaram roupas e uma merreca em grana. Dois roubos de cara limpa. Um loirinho e um moreno, mais para negrão. A arma em ambas as ocorrências: um 38 com cabo de marfim.
Voltaram. Fumaram um cigarro e
esperaram. Ligeiros, faziam as fitas longe dali para não irritar o patrão.
Tráfico e 157. Uma vela para Deus e outra para o diabo. Uma moto colou. Dessa
vez o alemão ficou e o outro saiu.
Chegar nos malas foi fácil. Charlie levanta o serviço, Mike dá o bote. Em tese. Mas
ele ia reclamar? Também tinha seus negócios lá dentro. Legítima defesa,
resistência à prisão. "O suspeito abriu fogo"; “As câmeras
de vigilância encontravam-se desativadas”; “A testemunha não foi localizada”.
Semana anterior. Chácara de bacana. Serviço dado: quinze paus guardados no cofre. Joias, relógios, celulares, eletrônicos e o caralho a quatro. Os malas se animaram com o bar e chaparam. O alemão deu uma de Jack e comeu a dona. O negrão fez o marido ver. Na cabeça do sujeito, um 38 reluzente com o cabo em marfim. Depois enfiaram o casal no carro, levaram para uma quebrada. Com os dois amarrados, soltaram num barranco. A mulher se machucou. O cara virou um vegetal. O recado chegou até ele para que fosse tomada uma atitude. Os Charlies lavavam as mãos.
Semana anterior. Chácara de bacana. Serviço dado: quinze paus guardados no cofre. Joias, relógios, celulares, eletrônicos e o caralho a quatro. Os malas se animaram com o bar e chaparam. O alemão deu uma de Jack e comeu a dona. O negrão fez o marido ver. Na cabeça do sujeito, um 38 reluzente com o cabo em marfim. Depois enfiaram o casal no carro, levaram para uma quebrada. Com os dois amarrados, soltaram num barranco. A mulher se machucou. O cara virou um vegetal. O recado chegou até ele para que fosse tomada uma atitude. Os Charlies lavavam as mãos.
Deu a partida e saiu devagar,
sem pressa. Contornou mais adiante, acessou a outra mão. Chegou perto e
acelerou. Pegou os malas de surpresa. O para-choque esmigalhou ossos, rasgou
fundo. Perdeu um dos faróis. Uma cabeça trincou o para-brisa. Alguma coisa
rolou por cima do carro. Desceu de Glock na mão. Duas balas para cada um. Virou
o corpo do alemãozinho. A arma era bonita. O acabamento em marfim, delicado. Coisa
de artista. Foi embora, levando o souvenir.
Por: Guinea Pig
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Casa da Sogra
Alice sempre foi moça certa. De religião cristã e primeira de quatro filhos, casou-se aos dezessete com Genivaldo, seu primeiro namorado. Finda a festança, foram morar com Dona Euclídia, a mãe de Genivaldo, até que a casa que construíam estivesse pronta. Dona Euclídia, aos 38 anos, fora casada com Manolo, um português que morrera quando Genivaldo ainda era criança, numa orgia regada a uísque e cocaína.
O primeiro ano de convivência com a sogra foi o pior da vida da moça. Sistemática, autoritária, cínica e intrometida, Dona Euclídia tinha de jovial o que tinha de difícil: botava defeito em tudo, da forma como Alice lavava a roupa do marido à mistura do almoço. Certo dia, deu para implicar com as roupas da nora que, segundo ela, eram muito curtas. Genivaldo interveio, provando por a+b que as vestimentas de Alice, um vestido de viscose para baixo dos joelhos e um casaquinho de lã, estavam perfeitamente adequados para uma moça casada.
Numa manhã de sábado, enquanto estendia os lençóis no varal, Alice ouviu alguém bater palmas no portão. Correu para lá, mas encontrou apenas um envelope com seu nome, cujo conteúdo era uma folha de caderno com os seguintes dizeres, escritos à caneta: “Rua das Maritacas, 456, 22h30, hoje. Saberás quem é o teu marido”. Engoliu em seco, amassou o bilhete e angustiou-se. Pensava em quem poderia estar fazendo aquilo. Seria uma piada? Um golpe? Pelo sim, pelo não, no entanto, apareceu no local indicado às 22h25, bem em tempo de ver Genivaldo entrando todo serelepe no que descobriu ser uma casa de swing.
Já furiosa com toda a situação, Alice entrou atrás do marido e deparou-se com um ambiente dançante e escuro. Seguiu para uma escada cheia de espelhos que a conduziu a um corredor repleto de portas, sofás, janelas e pessoas. Pessoas seminuas, nuas, algumas quase do avesso. Ficou paralisada observando uma loira de seios avantajados sendo enrabada por um mulato, enquanto chupava o pau de um rapaz alto e de feições juvenis. Não podia acreditar que aquilo estivesse acontecendo bem ali, na frente de toda aquela gente. Olhou para os lados e viu mais três homens contemplando a cena, dois já abaixando as calças, não sabia se para se para se tocar ou participar do come-come. Mais do que depressa, apesar da sensação de irrealidade, Alice percorreu alguns metros entre pessoas se beijando e seios de fora, até avistar Genivaldo. Refestelado num sofá, o rapaz permanecia de olhos fechados enquanto uma morena acima do peso lambia-lhe as bolas. A esposa traída já estava para voar sobre os cabelos da morena, quando sentiu braços fortes segurando-a. O rapaz alto terminara com a loira e encostou Alice na parede, com a bunda dela encaixada nele. Alice quis gritar, mas dopada de ódio, surpresa e um repentino desejo de revide, deixou-se apertar, enquanto outro par de mãos erguia-lhe a saia. “Falei que era curta demais...”, disse uma voz suave vinda da mulher que beijava suas coxas. “Dona Euclídia! Mas o quê...?” Não teve tempo de terminar a frase, o rapaz alto deitou-a num sofá-cama, arrancou-lhe a calcinha de algodão e segurou seus braços finos, enquanto Dona Euclídia, num vestidinho laranja colado que deixava ver todos os pelos da vulva, chupava-lhe o grelo. Usou a língua, os lábios, os dedos, dois consolos enormes. Alice contorcia-se de prazer e gozou duas vezes enquanto a sogra acariciava seus pequenos seios e o rapaz alto fazia as vezes por trás. Deixou a casa às 2h, trôpega, todos os orifícios doendo e um rombo na alma. Como olharia para Genivaldo e Dona Euclídia dali para frente?
Para sua surpresa, Genivaldo, tão entretido estava com a morena, não a vira no swing, e Dona Euclídia... Bem, acordava Alice todas as noites com vigorosas lambidas e dedos ágeis, tratando-a normalmente durante o dia. “Mas isso não está certo”, debatia-se a moça entre preceitos religiosos e morais. Algum tempo depois, a consciência deu seu veredicto: Alice decidiu acabar com todo o sofrimento, pois não podia nem imaginar o que faria o marido se soubesse da sem-vergonhice. Apanhou a arma do pai de Genivaldo, de dentro da cômoda, e atirou na boca do esposo que dormia. Dois tiros para ter certeza.
Hoje vive feliz com Dona Euclídia e seus dotes orais. O rapaz alto vem toda sexta para ajudar com a saia excessivamente curta da moça, e Genivaldo descansa em paz e ignorância sob a figueira do jardim.
Por: Maphalda Rios
O primeiro ano de convivência com a sogra foi o pior da vida da moça. Sistemática, autoritária, cínica e intrometida, Dona Euclídia tinha de jovial o que tinha de difícil: botava defeito em tudo, da forma como Alice lavava a roupa do marido à mistura do almoço. Certo dia, deu para implicar com as roupas da nora que, segundo ela, eram muito curtas. Genivaldo interveio, provando por a+b que as vestimentas de Alice, um vestido de viscose para baixo dos joelhos e um casaquinho de lã, estavam perfeitamente adequados para uma moça casada.
Numa manhã de sábado, enquanto estendia os lençóis no varal, Alice ouviu alguém bater palmas no portão. Correu para lá, mas encontrou apenas um envelope com seu nome, cujo conteúdo era uma folha de caderno com os seguintes dizeres, escritos à caneta: “Rua das Maritacas, 456, 22h30, hoje. Saberás quem é o teu marido”. Engoliu em seco, amassou o bilhete e angustiou-se. Pensava em quem poderia estar fazendo aquilo. Seria uma piada? Um golpe? Pelo sim, pelo não, no entanto, apareceu no local indicado às 22h25, bem em tempo de ver Genivaldo entrando todo serelepe no que descobriu ser uma casa de swing.
Já furiosa com toda a situação, Alice entrou atrás do marido e deparou-se com um ambiente dançante e escuro. Seguiu para uma escada cheia de espelhos que a conduziu a um corredor repleto de portas, sofás, janelas e pessoas. Pessoas seminuas, nuas, algumas quase do avesso. Ficou paralisada observando uma loira de seios avantajados sendo enrabada por um mulato, enquanto chupava o pau de um rapaz alto e de feições juvenis. Não podia acreditar que aquilo estivesse acontecendo bem ali, na frente de toda aquela gente. Olhou para os lados e viu mais três homens contemplando a cena, dois já abaixando as calças, não sabia se para se para se tocar ou participar do come-come. Mais do que depressa, apesar da sensação de irrealidade, Alice percorreu alguns metros entre pessoas se beijando e seios de fora, até avistar Genivaldo. Refestelado num sofá, o rapaz permanecia de olhos fechados enquanto uma morena acima do peso lambia-lhe as bolas. A esposa traída já estava para voar sobre os cabelos da morena, quando sentiu braços fortes segurando-a. O rapaz alto terminara com a loira e encostou Alice na parede, com a bunda dela encaixada nele. Alice quis gritar, mas dopada de ódio, surpresa e um repentino desejo de revide, deixou-se apertar, enquanto outro par de mãos erguia-lhe a saia. “Falei que era curta demais...”, disse uma voz suave vinda da mulher que beijava suas coxas. “Dona Euclídia! Mas o quê...?” Não teve tempo de terminar a frase, o rapaz alto deitou-a num sofá-cama, arrancou-lhe a calcinha de algodão e segurou seus braços finos, enquanto Dona Euclídia, num vestidinho laranja colado que deixava ver todos os pelos da vulva, chupava-lhe o grelo. Usou a língua, os lábios, os dedos, dois consolos enormes. Alice contorcia-se de prazer e gozou duas vezes enquanto a sogra acariciava seus pequenos seios e o rapaz alto fazia as vezes por trás. Deixou a casa às 2h, trôpega, todos os orifícios doendo e um rombo na alma. Como olharia para Genivaldo e Dona Euclídia dali para frente?
Para sua surpresa, Genivaldo, tão entretido estava com a morena, não a vira no swing, e Dona Euclídia... Bem, acordava Alice todas as noites com vigorosas lambidas e dedos ágeis, tratando-a normalmente durante o dia. “Mas isso não está certo”, debatia-se a moça entre preceitos religiosos e morais. Algum tempo depois, a consciência deu seu veredicto: Alice decidiu acabar com todo o sofrimento, pois não podia nem imaginar o que faria o marido se soubesse da sem-vergonhice. Apanhou a arma do pai de Genivaldo, de dentro da cômoda, e atirou na boca do esposo que dormia. Dois tiros para ter certeza.
Hoje vive feliz com Dona Euclídia e seus dotes orais. O rapaz alto vem toda sexta para ajudar com a saia excessivamente curta da moça, e Genivaldo descansa em paz e ignorância sob a figueira do jardim.
Por: Maphalda Rios
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Conversas de rodízio
- Aceita lombo?
- Então, o trabalho lá tá puxado, o encarregado é novo e aí
já viu, né?
- Ah, imagino. Lá no meu setor também, fora que nem estão
pagando o ordenado direito.
- Coraçãozinho,
senhor?
- Põe pra mim. Ah, sabe o Adamastor, o contínuo? Foi pego
com a boca na botija, na botija da Mariluz! Estavam peladinhos na escadaria!
- Fígado, mal passado. Aceita?
- Fígado, mal passado. Aceita?
- Quero sim. Ih, o Adamastor de novo? Esse pirralho tá que
tá hein... desse jeito, vai pra rua logo, logo.
- Costela, senhor.
- Tá bem macia?
- Tá sim, senhor.
- Me vê uma. Adoro costela.
Era tarde da noite, os dois médicos saíram saciados do Instituto Médico Legal. O assistente ficou lá, limpando a bancada de sangue. Deixou a carcaça do indigente para os cachorros da região.
Era tarde da noite, os dois médicos saíram saciados do Instituto Médico Legal. O assistente ficou lá, limpando a bancada de sangue. Deixou a carcaça do indigente para os cachorros da região.
Por: Reverendo Lezzagon
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Rima da Puta
Trampar de manhã é foda.
"Mas, trepar de manhã é que é foda".
Kellinha lamentava insistentemente.
Todo mundo tem o seu pesar.
Foda mesmo é ter que trampar.
Mas, de manhã não vale o que rende.
"Nem almocei, e já me assei a vulva".
Puta que o pariu! Mais um Rima da Puta.
Disse a menina, no meio do expediente.
Para o cliente, trepar de manhã é moda.
Se engana que goza, quem vende foda.
Mas, e a Puta?.... que o pariu! Ele não entende.
Passa pomada até de noitinha.
"Dar o dia inteiro é foda", diria Kellynha.
Foda é a moda do cliente, de transar de manhã.
por Coronel Malaquias
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Buttman
Naquela casa, a palavra de Deus imperava. Regivaldo não admitia palavrões, novelas ou músicas mundanas. Ungida, sua TV só
transmitia canais evangélicos, o mesmo se dava com o rádio. Leitura era a
Bíblia. Internet? Nem pensar. O www é o
meia-meia-meia, profetizava.
Naquela noite, foi um comichão no pé esquerdo que o despertou. Deu por falta da esposa. Na sala, Cristileide dormia esparramada no
sofá, em inocência pós-gozo. Na TV, homens e mulheres em plena ação. Garganta
profunda, duplas penetrações, gemidos, música lasciva. Pornografia das
brabas. Foi um caso sério. Colocou a mulher para fora de casa, aos gritos e
pontapés. Não admito, entendeu??
Cristileide vivia sozinha há uma semana quando recebeu um DVD sem identificação. Um filme de fetiches bizarros. Podolatria, spanking, coprofagia, BDSM, travestis, zoofilia, gang bang, creampie. E lá estava um Regivaldo, dez ou quinze anos mais jovem, a protagonizar todas as cenas. Cristileide dormiu em choque. No dia seguinte, recebeu uma ligação. Um homem identificado como M.Bastos, empresário de entretenimento adulto, perguntava se ela havia recebido o DVD. Seu marido era um grande talento do pornô. Era o Buttman de nossa região, explicou.
Envenenada pela humilhação, tramou sua vingança. Hipócrita, vomitava. Um mês depois, foi a vez de Regivaldo
receber um DVD. Rodeada por homens, mulheres e
animais, a ex-mulher “interpretava” do Gênesis ao Apocalipse. Escatologia na travessia do Mar
Vermelho, bestialismo na Arca de Noé, sêmen ao invés de maná. Cristileide estrelava uma coletânea de
abominações. Sou eu a prostituta da
Babilônia, repetia para as câmeras.
Quando o DVD chegou ao fim, todos os cabelos de Regivaldo eram brancos. Nunca mais foi à igreja. Sua fé estava pervertida para sempre.
Por: Voltaire de Abreu
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
"Trabalho de lavar copos"
A vida não foi boa com Jovanilda. Da infância pobre no Acre à brutalidade da periferia de São Paulo, a mulher carregava cicatrizes
na pele e na alma. Já na metade dos 50, o marido a colocou para correr do
barraco. Sem eira nem beira, sem parentes a quem recorrer, bateu na porta de uma
casa de mulheres de aluguel. Teve
humildade para especificar o que oferecia. Trabalho de lavar copos.
Em meio às beldades, foi aquela senhora simples que chamou a atenção do Português: patrão do tráfico, fechado com o 15, homem de modos violentos e fetiches sádicos.
Todos os dias, esquecia a chimbada e dedicava-se a escutar as histórias, entre um enxágue e outro. Com a espuma dos copos, Jovanilda esvaziava o coração: abusos, abortos, amores. O Português gamou. Àquela mulher fazia propostas irrecusáveis: dinheiro, jóias, o mundo. Jovanilda era irredutível.Não faço programa, só trabalho de lavar copos.
Em meio às beldades, foi aquela senhora simples que chamou a atenção do Português: patrão do tráfico, fechado com o 15, homem de modos violentos e fetiches sádicos.
Todos os dias, esquecia a chimbada e dedicava-se a escutar as histórias, entre um enxágue e outro. Com a espuma dos copos, Jovanilda esvaziava o coração: abusos, abortos, amores. O Português gamou. Àquela mulher fazia propostas irrecusáveis: dinheiro, jóias, o mundo. Jovanilda era irredutível.Não faço programa, só trabalho de lavar copos.
Tamanha atenção despertou ciúmes nas meninas da casa. O que ele vê naquela velha podre? Algumas
questionavam as razões da recusa, já que o dinheiro não era de se desprezar. Vai lá, boba,
uma vez só. Jô refutava. Repetia que sua função era lavar copos e nada
mais.
Um dia, caiu numa peça cruel. Atraída a um dos quartos, foi
imobilizada e amarrada pelas meninas. Deixaram-na nua, expondo totalmente
aquela pele com cor e textura de casca de árvore. Chamaram o Português que, sem
titubear, realizou sua fantasia. No fim, deixou dinheiro para Jovanilda e uma “caixinha”
para as cúmplices. Para de chorar, tonta,
olha quanto dinheiro ele te deu...
A velha não disse palavra. Ainda nua, foi até o balcão onde
apanhou um copo longo e elegante. Quebrou-o em um golpe e, com o caco, fez um
corte na própria jugular. O sangue lavou a honra de Jovanilda.
Por: Voltaire de Abreu
Por: Voltaire de Abreu
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
São Cipriano, Capa de Aço
Quando dona Sizinha completou 36 anos, uma febre atacou. Médicos examinaram a mulher do Velho Souza com o diagnóstico: Corre pra Salvador, senão ela morre. Vendeu uma das fazendas no tratamento, mas perdeu Sizinha.
Não era dor, era revolta. Passou a beber, jogar, fazer macumba. Andava pela cidade e não tomava banho. Brigado com Deus, um dia aceitou um conselh. Pai de Santo deu a dica: "Vá atrás do livro". Daí em diante, virou lenda.
Certa feita, um marido traído tucalhou derrubar Souza. Quando puxou o gatilho o Velho sumiu na moita. Apareceu do lado dele, rindo alto. Numa outra, puxou o gatilho e saiu água. Coitado, ficou louco de hospício, deixando a mulher soltinha para Souza.
Noutro tempo, fez chover na lavoura dele. Só na dele. Esverdeou o pasto do terreno, secou o dos vizinhos deixando os bois pulando cerca para dentro das terras de Souza. Ai de quem fosse buscar! Num brega certa vez, já com 68 anos, pagou três moças pelos serviços. Duas delas apaixonaram. Santo livro!
Orlando, filho de Batista, parceiro de gado de Souza, apresentou a sobrinha Juvência. 35 anos, viúva e com dois filhos. Naquele tempo, mulher que perdesse o marido caía em desgraça, ninguém queria. Mas Velho Souza, com 72, 22 filhos e quatro fazendas estava cansado de bagunça, queria sossego.
A velha fez condição: Deixar a feitiçaria e ir com ela na igreja. Fez força e foi. Aos poucos, foi largando o vício. Até certo dia, em confissão, ouviu do Vigário: "Velho, te emenda, larga o livro!". Foi pro rio com capa de aço e tudo. Ficou nas águas da memória aquele que lhe rendeu tanta fama. Adeus São Cipriano! E casou com Juvência.
Dois anos depois, Souza morreu. Deixou tudo para Juvência que, sem estudo, chamou Orlando para cuidar. No sermão do funeral, o Vigário lembrava a travessia de Moisés pelo rio, ate encontrar a mulher, rainha que o criara. O Velho fez a travessia dos santos!
Um rio trouxe a Orlando um Livro órfão. O livro o trouxe a fama de Galo, de sortudo. Trouxe-lhe muito mais...
por Coronel Malaquias
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Não era dor, era revolta. Passou a beber, jogar, fazer macumba. Andava pela cidade e não tomava banho. Brigado com Deus, um dia aceitou um conselh. Pai de Santo deu a dica: "Vá atrás do livro". Daí em diante, virou lenda.
Certa feita, um marido traído tucalhou derrubar Souza. Quando puxou o gatilho o Velho sumiu na moita. Apareceu do lado dele, rindo alto. Numa outra, puxou o gatilho e saiu água. Coitado, ficou louco de hospício, deixando a mulher soltinha para Souza.
Noutro tempo, fez chover na lavoura dele. Só na dele. Esverdeou o pasto do terreno, secou o dos vizinhos deixando os bois pulando cerca para dentro das terras de Souza. Ai de quem fosse buscar! Num brega certa vez, já com 68 anos, pagou três moças pelos serviços. Duas delas apaixonaram. Santo livro!
Orlando, filho de Batista, parceiro de gado de Souza, apresentou a sobrinha Juvência. 35 anos, viúva e com dois filhos. Naquele tempo, mulher que perdesse o marido caía em desgraça, ninguém queria. Mas Velho Souza, com 72, 22 filhos e quatro fazendas estava cansado de bagunça, queria sossego.
A velha fez condição: Deixar a feitiçaria e ir com ela na igreja. Fez força e foi. Aos poucos, foi largando o vício. Até certo dia, em confissão, ouviu do Vigário: "Velho, te emenda, larga o livro!". Foi pro rio com capa de aço e tudo. Ficou nas águas da memória aquele que lhe rendeu tanta fama. Adeus São Cipriano! E casou com Juvência.
Dois anos depois, Souza morreu. Deixou tudo para Juvência que, sem estudo, chamou Orlando para cuidar. No sermão do funeral, o Vigário lembrava a travessia de Moisés pelo rio, ate encontrar a mulher, rainha que o criara. O Velho fez a travessia dos santos!
Um rio trouxe a Orlando um Livro órfão. O livro o trouxe a fama de Galo, de sortudo. Trouxe-lhe muito mais...
por Coronel Malaquias
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Quiromancia cigana
A quiromancia é um método de adivinhação baseado nas linhas
da palma da mão e no seu formato, tamanho e textura. Esse sistema teve origem
na Índia há pelo menos cinco mil anos. Era praticado na China, no Tibete, na
Pérsia, na Mesopotâmia e no Egito. Conta-se que o filósofo grego Aristóteles,
que dizia que a mão é o "principal órgão" do corpo, ensinou
quiromancia a seu mais famoso aluno, Alexandre, o Grande. Dizem que também
Júlio César acreditava ter tanta habilidade com Quiromancia que julgava seus
homens pela aparência de suas mãos.
Por: Reverendo Lezzagon
Vim de família de ciganos. Minha mãe e meu pai me
implantaram dentes de ouro, me ensinaram a dormir como nômade e me iniciaram
nas artes da Quiromancia.
Azaléia tinha mãos finas, dedos compridos e a linha da vida
bem pronunciada, mas ainda não tinha a
linha da cabeça. Nosso caso foi fugaz, em pouco tempo a esqueci, exceto das
suas mãos.
Marialva era o oposto, apresentava traços mais rudes, dedos
grossos e formato de mão quadrado. Já tinha a linha da cabeça, e marcas profundas
nos montes de Vênus, perto da base do polegar. Fizemos amor por um tempo, mas
também tivemos uma relação nômade. Mas que mãos!
Porém, a mais espantosa de todas, a mais completa, a mais
iluminada, a mais mística era Jaciara. Tinha os sinais da fortuna, perto dos
dedos indicadores, a linha da vida, da cabeça e do coração. Quase uma santa de
mulher! Suas mãos são inesquecíveis.
Fugi da cidade de Azaléia, mudei da cidade de Marialva,
corri da cidade de Jaciara. Cá estou eu, numa pequena barraca, acampado em
Bragança Paulista. Tenho poucos pertences, entre eles uma pequena caixa. Nos
momentos de solidão, abro a tampa e aprecio as mãos de meus amores.
Por: Reverendo Lezzagon
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Ocorrência Policial
Todo mundo já teve uma mulher-diabo. Daquelas que entram na tua vida só para foder com tudo, deixar sem rumo. Quem é que pode com a Pomba Gira quando chega sexta-feira? E não adianta: todo mundo já fez cagada por conta de boceta.
A mulher-diabo do Amarildo era a Célia. Quando cheguei, ele chorava ajoelhado. Aquilo ali era tragédia anunciada. O gordo tinha cargo de secretário não sei das quantas. A esposa do Amarildo era funcionária pública. Iniciaram um caso. O gordo apaixonou. Pediu a ela que deixasse o marido. Ela impôs a condição: que o amante arrumasse um cargo bom para o chifrudo. O gordão aceitou. Amarildo foi nomeado, passou a ganhar rios de dinheiro. Esquemas com empreiteiras, superfaturamento, prestígio, poder. Ele não entendia nada, mas aceitava de bom grado.
A mulher-diabo do Amarildo era a Célia. Quando cheguei, ele chorava ajoelhado. Aquilo ali era tragédia anunciada. O gordo tinha cargo de secretário não sei das quantas. A esposa do Amarildo era funcionária pública. Iniciaram um caso. O gordo apaixonou. Pediu a ela que deixasse o marido. Ela impôs a condição: que o amante arrumasse um cargo bom para o chifrudo. O gordão aceitou. Amarildo foi nomeado, passou a ganhar rios de dinheiro. Esquemas com empreiteiras, superfaturamento, prestígio, poder. Ele não entendia nada, mas aceitava de bom grado.
Quando a mulher anunciou ao Amarildo que ia deixá-lo, o camarada descompensou. Arrebentou-a no cacete. O gordo ficou furioso e acionou seus capangas para dar um fim no infeliz. A mulher implorou piedade e o sujeito amoleceu. Foi o erro. Amarildo montou tocaia e fez picadinho do casal. Essa mulher era uma santa! Uma santa!!, repetia o chifrudo, diante da barbárie.
O gordo tinha poder. A ordem do Comando era subir o Amarildo e sumir com o corpo. Deixei o serviço pro Nunes. Fiquei com dó. Todo mundo já fez cagada por conta de boceta.
O gordo tinha poder. A ordem do Comando era subir o Amarildo e sumir com o corpo. Deixei o serviço pro Nunes. Fiquei com dó. Todo mundo já fez cagada por conta de boceta.
Por: Guinea Pig
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quarta-feira, 31 de julho de 2013
Um caso muito romântico
- Chupa a cabeçorra do meu pau, filha da puta. Isso...
- Aaaahhhh, como seu caralho é gostoso, latejando na minha
boquinha. Me dá leitinho, dá? Deixa minha cara bem branquinha?
- Vem cá agora, abre esse cuzinho preto pra mim, fica de
quatro pra eu ver esse rabo gostoso. Vou encher ele de porra.
- Seu puto, me come com força, come... sou toda sua.
A porta da lan house abriu, e o marido que fora traído
virtualmente se dirigiu a uma das estações de computador. Encontrou um jovem
punheteiro com o pinto na mão. Na câmera, sua esposa em casa, falando e
escrevendo coisas obscenas.
Sacou o trezoitão e atirou na cabeça do adolescente.
Quem dera a bala também fosse virtual.
Sacou o trezoitão e atirou na cabeça do adolescente.
Quem dera a bala também fosse virtual.
Por: Reverendo Lezzagon
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sexta-feira, 26 de julho de 2013
Minha campanha do agasalho
Estava quase congelando.
Minhas mãos estavam brancas, e as pernas tremiam com o frio
cortante. Não conseguia mexer sequer um músculo do corpo. Nem as blusas,
meias e luvas estavam dando conta do recado. A temperatura fina, gelada e violenta transpassava a trama
do meu pesado sobretudo de lã.
Senti meu coração bombeando sangue lentamente. Tentei
gritar, a voz não respondia. O aperto no peito foi ficando pior. Bati diversas
vezes na porta de alumínio pesada. Esforços em vão.
O sequestrador abriu a porta do frigorífico.
- Faça o que quiser de mim, mas me tire daqui, eu imploro.
Meu pedido foi atendido. Desacordei enquanto ele fatiava o décimo bife de meu corpo.
Meu pedido foi atendido. Desacordei enquanto ele fatiava o décimo bife de meu corpo.
Por: Bispo F.
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quinta-feira, 25 de julho de 2013
Massa polar
Inverno em São Paulo. Garoa e frio cortantes. Anamara era
viúva. O termômetro marcava cinco graus centígrados. O calor não dava trégua
entre suas coxas. Anamara suspirava e sonhava com um homem que a
fizesse de gato e sapato.
A previsão do tempo anunciava a madrugada mais gelada do ano. Decidiu fazer uma sopa. Correu comprar os ingredientes. Encantou-se com as cenouras, mandiocas, berinjelas e abobrinhas. Escolheu um vinho para acompanhar.
Na esquina, o Joca tremia. O cobertor do adolescente era precário. O frio das ruas, feroz. Anamara o convidou para subir. Deu-lhe banho, roupas novas, alimento e, por fim, pediu que a amasse.
A previsão do tempo anunciava a madrugada mais gelada do ano. Decidiu fazer uma sopa. Correu comprar os ingredientes. Encantou-se com as cenouras, mandiocas, berinjelas e abobrinhas. Escolheu um vinho para acompanhar.
Na esquina, o Joca tremia. O cobertor do adolescente era precário. O frio das ruas, feroz. Anamara o convidou para subir. Deu-lhe banho, roupas novas, alimento e, por fim, pediu que a amasse.
Despertou, não se sabe a que horas, com a sensação de que
sua carne se transformava em brasa. Era
o Joca, que despejava uma panela de água fervente sobre ela. Antes de dar no
pinote, o adolescente levou o que pode: celular, DVD, dinheiro,
algumas joias. Correu dali, na fissura.
Os termômetros marcavam dois graus na Avenida Paulista.
Por: Voltaire de Abreu
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Um homem de identidade
Ainda descabelado, saiu às pressas da cama enquanto a
pequena dormia a sono solto. Para Marcelina, havia se identificado como Vasconcelos,
advogado, 34 anos, bem sucedido. Se trocou rápido, colocou a gravata e o
abrigo, tinha que trabalhar.
Na verdade, era consultor PJ de uma pequena empresa de
internet no centro de São Paulo. Lá, tinha um outro lanche fixo chamada
Catarina. Ali, se chamava Boaventura, formado em Ciências da Computação, e com
vivências no exterior. Para a charmosa Catarina, era "Deus no céu e Boaventura
na terra". Via de regra, transavam na escada e se aventuravam no cantinho da
máquina de Xerox.
À noite, ia pra casa, assumia o ar de bom rapaz. Quem o
esperava era Katiúscia, morena bonita de cadeiras largas. No doce lar, adotava
o nome de Pascoal. Jovem administrador de empresas, rico, e com uma gorda
herança familiar.
Numa quarta chuvosa qualquer, foi à via sacra novamente.
Sempre portava consigo os diversos RGs de suas diversas identidades, mas
naquele dia havia esquecido sua papelada em casa. Atravessou a rua. Nem deu
tempo de pensar, foi pego por um ônibus em alta velocidade. Do lado dele, o celular cabrito caído, cheio de contatos.
Os telefones de Marcelina, Catarina e Katiúscia tocaram.
Foram correndo identificar o corpo.
Num misto de choro, surpresa e muita raiva, falaram em
uníssono: “Não reconhecemos o morto”.
Fora enterrado como indigente, sem lenço e sem documento.
Fora enterrado como indigente, sem lenço e sem documento.
Por: Reverendo Lezzagon
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sexta-feira, 21 de junho de 2013
Anos Rebeldes - Uma confissão
Sou o Cortez. Eu reprimia protestos desses com firmeza. Trabalhei para Fleury, Médici e Geisel, com dedicação. Gostava de métodos e sangue. Cheguei a interrogar 40, recorde de 73. Plantei todos na vala de Perus, subprefeitura que ironicamente, 35 anos depois, um colega administrou para o ultimo prefeito.
Estou velho e minha mão treme. Perdi minhas mulheres e amigos, meus netos me detestam, chamam de assassino. Colega Malaquias saiu dessa, se regenerou e escreve contos doces. Me dói não ter mesma sorte.
Me dói mais é não estar nas ruas, junto com meu turno. Com bombas e com armas prontas para pegar esses contrarrevolucionários, comunistas de folhetim! Anos rebeldes, que saudade de você!
por Coronel Malaquias
Estou velho e minha mão treme. Perdi minhas mulheres e amigos, meus netos me detestam, chamam de assassino. Colega Malaquias saiu dessa, se regenerou e escreve contos doces. Me dói não ter mesma sorte.
Me dói mais é não estar nas ruas, junto com meu turno. Com bombas e com armas prontas para pegar esses contrarrevolucionários, comunistas de folhetim! Anos rebeldes, que saudade de você!
por Coronel Malaquias
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sexta-feira, 10 de maio de 2013
Coração de mãe
Coração de mãe não se
engana. Já o meu, sempre me colocou em apuros. Nunca fui bom com as mulheres.
Deve ser pelos meus genes artísticos, não tenho certeza. Quando conheci a
última, pensei que seria diferente. A cada encontro, um sedimento de confeito insistia
no paladar. As formigas se tornaram presença comum em nosso quarto. Era
engraçado. Doce e engraçado.
A velha alertou: Cuidado! Essa pensa que gosta de ti, mas tem inclinação à vida dupla. Ares estranhos sobrepuseram-se ao que, antes, era açúcar. Insinuava-se em seus suspiros uma borra mineral, vermelha, equina e que impregnava o quarto com um ar de velhas histórias e repetições. Havia uma presença estranha, incômoda feito cisto que não pode ser drenado. As formigas desapareceram.
A velha alertou: Cuidado! Essa pensa que gosta de ti, mas tem inclinação à vida dupla. Ares estranhos sobrepuseram-se ao que, antes, era açúcar. Insinuava-se em seus suspiros uma borra mineral, vermelha, equina e que impregnava o quarto com um ar de velhas histórias e repetições. Havia uma presença estranha, incômoda feito cisto que não pode ser drenado. As formigas desapareceram.
Numa sexta-feira, a velha
colocou as cartas na mesa.Vem, quero te
mostrar. E ali estava ela, pronta para entregar-se a outro. De
longe, senti o aroma doce que ela irradiava e que, em nossas tardes, noites e manhãs, tornara-se raro. O coração dela já não é mais teu, sentenciou.
Voltamos para a casa,
calados. Mais tarde, enquanto mamãe dormia, afundei o martelo em seu crânio.
Depois, com a faca mais afiada, despedacei aquele coração seco e certo. O que
restou, enterrei no quintal. À namorada, não disse palavra. Há dias em que ela
some, não me atende ou prolonga-se em silêncios dignos de rocha. Ainda assim,
aos poucos, parte daquele sedimento voltou. Agridoce, é verdade. Mas, quem se
importa?
Ignorance is bliss.
Ignorance is bliss.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Baile de Mascaras
Era jovem e no rosto, um marca o condenara. Uma pinta de nascença, enorme sujava seu rosto. No lugar, uma mascara de panqueique e base bege cobria o horrendo fato: virou personagem.
Um psicanalista, behaviorista e cretino, ensinou a criar mascaras para "lidar" a auto-imagem. Vício em análise e teoria de grupo: Preferia ter com mascarados, frágeis pintados de monstros.
Nesse baile veneziano Jorge conquistou, subiu na vida. A medicina, após anos, teve exito em limpar a mancha, mas ele nunca abandonou a mascara, "ó avatar do sucesso!". E, de praxe, recusava-se a reconhecer uma face limpa e sincera como um igual...
por Coronel Malaquias
Um psicanalista, behaviorista e cretino, ensinou a criar mascaras para "lidar" a auto-imagem. Vício em análise e teoria de grupo: Preferia ter com mascarados, frágeis pintados de monstros.
Nesse baile veneziano Jorge conquistou, subiu na vida. A medicina, após anos, teve exito em limpar a mancha, mas ele nunca abandonou a mascara, "ó avatar do sucesso!". E, de praxe, recusava-se a reconhecer uma face limpa e sincera como um igual...
por Coronel Malaquias
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Enquanto isso, durante o jantar
- Eu gosto mais da bunda da Dora, e você?
- Prefiro os peitos.
Dialogavam os dois jovens canibais durante o delicioso
jantar.
Por: Reverendo Lezzagon
sexta-feira, 22 de março de 2013
Fumaça Amarela
Dorote era mãe. E como toda mãe, defende o filho. Como toda mãe, quer o bem, torce e luta pelo filho. Prole é sagrada. Dorote reza.
Ricardo é filho. E como todo filho, é jovem e cretino. Não reconhece o valor dos progenitores, dos amigos, dos amores, da sociedade. Como jovem, se arrisca e erra.
Era fim do conclave, Dorote assistia atenta ao cerimonial. Ficou emocionada com o novo Papa americano, sentindo-se parte daquilo tudo. Aquele momento era consolo em meio a tanta dor. Até chegar Ricardo.
Doido de pedra e direto da boca, veio para levar a TV, prometida em dívida. Dorote se opôs, era seu último bem, último valor, sua última alegria. E insistente não deixou barato: "ao menos deixa ter a primeira benção de Francisco".
-------------------
Em tempo: Ela havia perdido tudo com um filho que viva dando "Capote" na própria casa, bancando o vício. Fora viciada em bingo também, vá lá. Mas isso é outra história, todos têm seus pecados.
-------------------
Fé, ódio e loucura. O sangue de Ricardo subiu à cabeça, enquanto o da mãe corria ao chão. Dorote subia aos céus a golpes da faca de cozinha. Em seu último suspiro rogou: "Perdoa, ele não sabe o que faz". No fundo sabemos, ninguém teve culpa...
Fumaça branca de Francisco, em nome de Pedro. Fumaça amarela de Ricardo, em nome da pedra. Dorote, com fé, alcançará as nuvens em nome de Jesus. Amém.
Por: Coronel Malaquias
Ricardo é filho. E como todo filho, é jovem e cretino. Não reconhece o valor dos progenitores, dos amigos, dos amores, da sociedade. Como jovem, se arrisca e erra.
Era fim do conclave, Dorote assistia atenta ao cerimonial. Ficou emocionada com o novo Papa americano, sentindo-se parte daquilo tudo. Aquele momento era consolo em meio a tanta dor. Até chegar Ricardo.
Doido de pedra e direto da boca, veio para levar a TV, prometida em dívida. Dorote se opôs, era seu último bem, último valor, sua última alegria. E insistente não deixou barato: "ao menos deixa ter a primeira benção de Francisco".
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Em tempo: Ela havia perdido tudo com um filho que viva dando "Capote" na própria casa, bancando o vício. Fora viciada em bingo também, vá lá. Mas isso é outra história, todos têm seus pecados.
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Fé, ódio e loucura. O sangue de Ricardo subiu à cabeça, enquanto o da mãe corria ao chão. Dorote subia aos céus a golpes da faca de cozinha. Em seu último suspiro rogou: "Perdoa, ele não sabe o que faz". No fundo sabemos, ninguém teve culpa...
Fumaça branca de Francisco, em nome de Pedro. Fumaça amarela de Ricardo, em nome da pedra. Dorote, com fé, alcançará as nuvens em nome de Jesus. Amém.
Por: Coronel Malaquias
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