quinta-feira, 25 de julho de 2013

Massa polar

Inverno em São Paulo. Garoa e frio cortantes. Anamara era viúva. O termômetro marcava cinco graus centígrados. O calor não dava trégua entre suas coxas. Anamara suspirava e sonhava com um homem que a fizesse de gato e sapato.

A previsão do tempo anunciava a madrugada mais gelada do ano. Decidiu fazer uma sopa. Correu comprar os ingredientes. Encantou-se com as cenouras, mandiocas, berinjelas e abobrinhas. Escolheu um vinho para acompanhar.

Na esquina, o Joca tremia. O cobertor do adolescente era precário. O frio das ruas, feroz. Anamara o convidou para subir. Deu-lhe banho, roupas novas, alimento e, por fim, pediu que a amasse.

Despertou, não se sabe a que horas, com a sensação de que sua carne se transformava em brasa.  Era o Joca, que despejava uma panela de água fervente sobre ela. Antes de dar no pinote, o adolescente levou o que pode: celular, DVD, dinheiro, algumas joias. Correu dali, na fissura.

Os termômetros marcavam dois graus na Avenida Paulista.

Por: Voltaire de Abreu

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