segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Homem de família

Meus dias de festa acabaram de forma abrupta. Eu tinha até raspado os pelos do saco pro meu pau parecer maior. Eu me ligo em coisas visuais. Eu queria impressionar. Mas ela, o bebê, estava a fim de zoar com tudo. Queria romance, queria olho no olho, queria estilo "namoradinhos". Eu queria foder. Foder aquela boceta peladinha com força, até deixar no vivo. Depois, encheria de beijos. Minha saliva, o bálsamo, deixaria-a pronta para ser fodida de novo. Eu me ligo nessas coisas de cheiro, sabor.

O bebê forçava a barra. Ela, possessiva. Eu, casado, pai de família. Ela, um tesão. Minha esposa, um bucho. Meus filhos, uns merdas. Minha vida, um saco. Com ela, ficava doido. Puxava-a para mim, queria consumí-la, queria me acabar ali, entre recônditos e reentrâncias talhadas precocemente a bisturi. Eu me ligo nessa coisa de tocar, sentir.

Um dia, ela começou a me repelir. Estava cansada, estava puta, estava me sacaneando. Termina com tua mulher, ordenava. Eu, que sempre fui sincero a respeito das condições e obrigações de homem casado, desfiava o rosário de sempre. Família, filhos, mil e um pepinos. Ela não queria saber. Eu estava perdendo o bebê. Joguei-me aos seus pés, em prantos. Faria o que ela quisesse. Cego, apaixonado, a cabeça virada, a cabeça na puta que o pariu. Então mata ela e vem viver comigo. A ordem gelou o sangue. Afastei-me e a encarei, sondei seu rosto de anjo para ter certeza de que falava sério. Ela repetiu: Mata tua mulher e vem viver comigo. Não era exatamente um pedido.

Naquela semana, não dormi. Foram dias de aflição, até tomar a decisão de fazer o que era preciso. Peguei a faca de caça, peguei o serrote, a corda, uma pá, sacos pretos, cal. Um soco na têmpora para desacordar. Amarrei, amordacei. Esperei acordar. Saboreei o pânico e o olhar de súplica. As palavras do bebê transformaram-me num sádico. Comecei com o serrote. Saboreei os gritos abafados, o choque, o horror. Passei a tarde fazendo-a em retalhos, até não sobrar nada. Fiquei atento ao horário. Logo, as crianças voltariam da escola. Ensaquei, enterrei. Ateei fogo à roupa suja do serviço.

Quando cheguei em casa, o jantar estava servido. Os meninos, de banho tomado. Sentei-me sem dizer nada e encarei um por um, esposa e filhos. A partir de agora, ninguém, NINGUÉM, estragará a felicidade de nossa família.

Na mesa, o mais velho puxou a oração. Juntos, agradecemos por mais aquela oportunidade de estarmos reunidos.

Por: Guinea Pig



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