Amélia que era mulher de verdade. Dona de casa e cozinheira de mão cheia, não tinha marido. Apenas um namorado meia boca, que mal dava no couro. Mesmo assim, era feliz.
Certo dia, numa festa de rodeio, Amélia conheceu Nardo. Aquele era o verdadeiro “Caboclo Sertanejo”: calça apertada, botina engraxada, fivela, camisa justa, tronco e braços fortes de tanto laçar touros.
Amélia pensou: “Não posso ficar com ele, foge do meu conceito de homem. Mas aquele corpo... ai, aquele corpo...”. Por sua vez, Nardo pensou: “Quero essa mulher por vida, gostosa do caraio”.
O primeiro encontro foi uma loucura, abraços, beijos, mão pra cá, mão pra lá. Depois, Amélia chegava em casa e ligava pro namorado, para saber se ele estava bem. No outro dia, a mesma coisa e assim seguiu o romance durante os cinco dias de rodeio da cidade.
Quando chegou o último dia de festa, Nardo falou para Amélia que ia embora com a companhia de rodeio. Amélia disse que tudo bem, que era melhor, afinal, ela ainda tinha um namorado.
Tinha.
Chegando em casa a notícia: “Seu namorado morreu, um boi chifrudo escapou do rodeio e o atingiu". O animal o acertara nos fundilhos. Pobre enganado, não suportou a dor e o sangramento.
Por: Clécia Amarantus
