Sou o Cortez. Eu reprimia protestos desses com firmeza. Trabalhei para Fleury, Médici e Geisel, com dedicação. Gostava de métodos e sangue. Cheguei a interrogar 40, recorde de 73. Plantei todos na vala de Perus, subprefeitura que ironicamente, 35 anos depois, um colega administrou para o ultimo prefeito.
Estou velho e minha mão treme. Perdi minhas mulheres e amigos, meus netos me detestam, chamam de assassino. Colega Malaquias saiu dessa, se regenerou e escreve contos doces. Me dói não ter mesma sorte.
Me dói mais é não estar nas ruas, junto com meu turno. Com bombas e com armas prontas para pegar esses contrarrevolucionários, comunistas de folhetim! Anos rebeldes, que saudade de você!
por Coronel Malaquias
Mostrando postagens com marcador avenida brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador avenida brasil. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Anos Rebeldes - Uma confissão
Marcadores:
amigo leal,
avenida brasil,
Conto,
contos,
conversão,
coronel,
crente,
ditadura,
fantasias,
Incorreta Politica,
Negócios e Empresas,
Sexo e Saúde,
velhice
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Crime na Avenida Brasil
- Alô, é o Chico?
- Sim, sim, de que se trata?
- Um primo meu recomendou você, me falou muito bem dos seus serviços.
- Sabe como
funciona, direitinho? Mas olha, não costumo tratar desses assuntos por
telefone.
- Chico, fica tranquilo, esse celular meu é cabritado, ninguém
rastreia nada não.
- Certeza,
doutor?
- Pela minha mãezinha que está no céu. Dou palavra, ninguém grampeará
a gente não. Mas vamos lá, quero encomendar um presunto a você...
- Dá a letra!
Como? Quando? Quem é o sujeito?
- Ele é executivo, tem 40 anos, mora nos Jardins, na Avenida Brasil.
Sai todo dia de casa com o carro blindado, mas da casa até o veículo ele
caminha sozinho uns 30 metros. E é lá que você entra, entendeu??? Já sai
atirando e já era. Mas tem que ser amanhã, ok?
- Doutor, são 100
mil reais, pagos adiantados. Em espécie, em notas graúdas.
- Fechado, ponho numa sacola e deixo no porta-malas do meu carro. Hoje
à noite, estarei no shopping Morumbi, vá até o piso 2, corredor G, e abra o
porta-malas da Land Rover preta, a grana estará lá. Combinado? Deixarei lá
também um envelope com fotos e mais detalhes do sujeitinho.
- Sim, sim.
- É pra atirar à queima roupa, pra fuzilar, deixar o cara todo furado,
compreendeu, Chico?
- É comigo mesmo,
doutor.
Peguei o carro no estacionamento. Abri o porta-malas, o Chico já tinha
apanhado o dinheiro, como combinamos. Fui pra casa tranquilo. Na verdade, nem tão tranquilo assim, era foda para um cara de 40 anos como eu, novo, inteiro, ter
uma doença tão filha da puta como a AIDS, que peguei de uma puta numa casa de
troca de casais. Não, eu não queria viver assim.
No dia seguinte, coloquei minha melhor camisa de linho branco e saí
pra trabalhar.
O Chico foi rápido e certeiro, fuzilou meu peito, fiquei como uma peneira. Caí
na hora, antes mesmo de chegar no carro.
Por: Reverendo Lezzagon
Assinar:
Postagens (Atom)
