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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Anos Rebeldes - Uma confissão

Sou o Cortez. Eu reprimia protestos desses com firmeza. Trabalhei para Fleury, Médici e Geisel, com dedicação. Gostava de métodos e sangue. Cheguei a interrogar 40, recorde de 73. Plantei todos na vala de Perus, subprefeitura que ironicamente, 35 anos depois, um colega administrou para o ultimo prefeito.

Estou velho e minha mão treme. Perdi minhas mulheres e amigos, meus netos me detestam, chamam de assassino. Colega Malaquias saiu dessa, se regenerou e escreve contos doces. Me dói não ter mesma sorte.

Me dói mais é não estar nas ruas, junto com meu turno. Com bombas e com armas prontas para pegar esses contrarrevolucionários, comunistas de folhetim! Anos rebeldes, que saudade de você!

por Coronel Malaquias

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Crime na Avenida Brasil


- Alô, é o Chico?

- Sim, sim, de que se trata?

- Um primo meu recomendou você, me falou muito bem dos seus serviços.

                - Sabe como funciona, direitinho? Mas olha, não costumo tratar desses assuntos por telefone.

- Chico, fica tranquilo, esse celular meu é cabritado, ninguém rastreia nada não.

                - Certeza, doutor?

- Pela minha mãezinha que está no céu. Dou palavra, ninguém grampeará a gente não. Mas vamos lá, quero encomendar um presunto a você...

                - Dá a letra! Como? Quando? Quem é o sujeito?

- Ele é executivo, tem 40 anos, mora nos Jardins, na Avenida Brasil. Sai todo dia de casa com o carro blindado, mas da casa até o veículo ele caminha sozinho uns 30 metros. E é lá que você entra, entendeu??? Já sai atirando e já era. Mas tem que ser amanhã, ok?

                - Doutor, são 100 mil reais, pagos adiantados. Em espécie, em notas graúdas.

- Fechado, ponho numa sacola e deixo no porta-malas do meu carro. Hoje à noite, estarei no shopping Morumbi, vá até o piso 2, corredor G, e abra o porta-malas da Land Rover preta, a grana estará lá. Combinado? Deixarei lá também um envelope com fotos e mais detalhes do sujeitinho.

                - Sim, sim.

- É pra atirar à queima roupa, pra fuzilar, deixar o cara todo furado, compreendeu, Chico?

                - É comigo mesmo, doutor.


Peguei o carro no estacionamento. Abri o porta-malas, o Chico já tinha apanhado o dinheiro, como combinamos. Fui pra casa tranquilo. Na verdade, nem tão tranquilo assim, era foda para um cara de 40 anos como eu, novo, inteiro, ter uma doença tão filha da puta como a AIDS, que peguei de uma puta numa casa de troca de casais. Não, eu não queria viver assim.

No dia seguinte, coloquei minha melhor camisa de linho branco e saí pra trabalhar.

O Chico foi rápido e certeiro, fuzilou meu peito, fiquei como uma peneira. Caí na hora, antes mesmo de chegar no carro. 

Por: Reverendo Lezzagon