Depois de um retiro isolado, Albert teve uma revelação. Um ser de luz lhe disse que ele era o escolhido para levar a paz ao seu próprio coração. Criou assim uma fé que não tinha ninguém mais que a si, Igreja da Solidão.
A ele pregava, a ele abençoava, a ele tirava maldição cobrando 10% ou mais do quinhão que ganhava. Vivia feliz consigo mesmo, onde fosse enviado, pregando a si mesmo que ele era o melhor líder religioso que tinha encontrado.
Mas se sabe, a carne é fraca, um dia ele caiu no pecado. Segundo seus preceitos foi condenado por ter com um membro de outra religião no caixa do supermercado. Tentou justificar argumentando que o outro era prosélito, em vão. A desculpa incoerente piorou a situação: "caberá dois na igreja da solidão?". O ato que em branco não passaria, pois fora da sua seita, gente boa não haveria, levou Albert a auto-expulsão. Pagando a pena imposta pela sua crendice, se revoltou achando aquilo tolice. Foi certo buscar em outras casas o pão que a sua lhe negou.
Mesmo em meio a multidão não se encontrou. Rodeado de pessoas pensava "sozinho ainda estou". Num vazio que nunca de fato encerrou, essa busca que se manifesta, vê que não tem saída, pede perdão e confessa: "Filho pródigo eu, aqui estou!". A ele mesmo aceitou como pecador arrependido e subjugado, nunca mais teria com o mundo falido de que tinha se apartado. A Igreja da Solidão prosperou, com a lei maior que Albert determinou: "apenas um membro", pastor e ovelha ao mesmo tempo, e com choro e Amém o culto se encerrou.
por Coronel Malaquias
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Quiromancia cigana
A quiromancia é um método de adivinhação baseado nas linhas
da palma da mão e no seu formato, tamanho e textura. Esse sistema teve origem
na Índia há pelo menos cinco mil anos. Era praticado na China, no Tibete, na
Pérsia, na Mesopotâmia e no Egito. Conta-se que o filósofo grego Aristóteles,
que dizia que a mão é o "principal órgão" do corpo, ensinou
quiromancia a seu mais famoso aluno, Alexandre, o Grande. Dizem que também
Júlio César acreditava ter tanta habilidade com Quiromancia que julgava seus
homens pela aparência de suas mãos.
Por: Reverendo Lezzagon
Vim de família de ciganos. Minha mãe e meu pai me
implantaram dentes de ouro, me ensinaram a dormir como nômade e me iniciaram
nas artes da Quiromancia.
Azaléia tinha mãos finas, dedos compridos e a linha da vida
bem pronunciada, mas ainda não tinha a
linha da cabeça. Nosso caso foi fugaz, em pouco tempo a esqueci, exceto das
suas mãos.
Marialva era o oposto, apresentava traços mais rudes, dedos
grossos e formato de mão quadrado. Já tinha a linha da cabeça, e marcas profundas
nos montes de Vênus, perto da base do polegar. Fizemos amor por um tempo, mas
também tivemos uma relação nômade. Mas que mãos!
Porém, a mais espantosa de todas, a mais completa, a mais
iluminada, a mais mística era Jaciara. Tinha os sinais da fortuna, perto dos
dedos indicadores, a linha da vida, da cabeça e do coração. Quase uma santa de
mulher! Suas mãos são inesquecíveis.
Fugi da cidade de Azaléia, mudei da cidade de Marialva,
corri da cidade de Jaciara. Cá estou eu, numa pequena barraca, acampado em
Bragança Paulista. Tenho poucos pertences, entre eles uma pequena caixa. Nos
momentos de solidão, abro a tampa e aprecio as mãos de meus amores.
Por: Reverendo Lezzagon
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