Quando dona Sizinha completou 36 anos, uma febre atacou. Médicos examinaram a mulher do Velho Souza com o diagnóstico: Corre pra Salvador, senão ela morre. Vendeu uma das fazendas no tratamento, mas perdeu Sizinha.
Não era dor, era revolta. Passou a beber, jogar, fazer macumba. Andava pela cidade e não tomava banho. Brigado com Deus, um dia aceitou um conselh. Pai de Santo deu a dica: "Vá atrás do livro". Daí em diante, virou lenda.
Certa feita, um marido traído tucalhou derrubar Souza. Quando puxou o gatilho o Velho sumiu na moita. Apareceu do lado dele, rindo alto. Numa outra, puxou o gatilho e saiu água. Coitado, ficou louco de hospício, deixando a mulher soltinha para Souza.
Noutro tempo, fez chover na lavoura dele. Só na dele. Esverdeou o pasto do terreno, secou o dos vizinhos deixando os bois pulando cerca para dentro das terras de Souza. Ai de quem fosse buscar! Num brega certa vez, já com 68 anos, pagou três moças pelos serviços. Duas delas apaixonaram. Santo livro!
Orlando, filho de Batista, parceiro de gado de Souza, apresentou a sobrinha Juvência. 35 anos, viúva e com dois filhos. Naquele tempo, mulher que perdesse o marido caía em desgraça, ninguém queria. Mas Velho Souza, com 72, 22 filhos e quatro fazendas estava cansado de bagunça, queria sossego.
A velha fez condição: Deixar a feitiçaria e ir com ela na igreja. Fez força e foi. Aos poucos, foi largando o vício. Até certo dia, em confissão, ouviu do Vigário: "Velho, te emenda, larga o livro!". Foi pro rio com capa de aço e tudo. Ficou nas águas da memória aquele que lhe rendeu tanta fama. Adeus São Cipriano! E casou com Juvência.
Dois anos depois, Souza morreu. Deixou tudo para Juvência que, sem estudo, chamou Orlando para cuidar. No sermão do funeral, o Vigário lembrava a travessia de Moisés pelo rio, ate encontrar a mulher, rainha que o criara. O Velho fez a travessia dos santos!
Um rio trouxe a Orlando um Livro órfão. O livro o trouxe a fama de Galo, de sortudo. Trouxe-lhe muito mais...
por Coronel Malaquias
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
Fumaça Amarela
Dorote era mãe. E como toda mãe, defende o filho. Como toda mãe, quer o bem, torce e luta pelo filho. Prole é sagrada. Dorote reza.
Ricardo é filho. E como todo filho, é jovem e cretino. Não reconhece o valor dos progenitores, dos amigos, dos amores, da sociedade. Como jovem, se arrisca e erra.
Era fim do conclave, Dorote assistia atenta ao cerimonial. Ficou emocionada com o novo Papa americano, sentindo-se parte daquilo tudo. Aquele momento era consolo em meio a tanta dor. Até chegar Ricardo.
Doido de pedra e direto da boca, veio para levar a TV, prometida em dívida. Dorote se opôs, era seu último bem, último valor, sua última alegria. E insistente não deixou barato: "ao menos deixa ter a primeira benção de Francisco".
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Em tempo: Ela havia perdido tudo com um filho que viva dando "Capote" na própria casa, bancando o vício. Fora viciada em bingo também, vá lá. Mas isso é outra história, todos têm seus pecados.
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Fé, ódio e loucura. O sangue de Ricardo subiu à cabeça, enquanto o da mãe corria ao chão. Dorote subia aos céus a golpes da faca de cozinha. Em seu último suspiro rogou: "Perdoa, ele não sabe o que faz". No fundo sabemos, ninguém teve culpa...
Fumaça branca de Francisco, em nome de Pedro. Fumaça amarela de Ricardo, em nome da pedra. Dorote, com fé, alcançará as nuvens em nome de Jesus. Amém.
Por: Coronel Malaquias
Ricardo é filho. E como todo filho, é jovem e cretino. Não reconhece o valor dos progenitores, dos amigos, dos amores, da sociedade. Como jovem, se arrisca e erra.
Era fim do conclave, Dorote assistia atenta ao cerimonial. Ficou emocionada com o novo Papa americano, sentindo-se parte daquilo tudo. Aquele momento era consolo em meio a tanta dor. Até chegar Ricardo.
Doido de pedra e direto da boca, veio para levar a TV, prometida em dívida. Dorote se opôs, era seu último bem, último valor, sua última alegria. E insistente não deixou barato: "ao menos deixa ter a primeira benção de Francisco".
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Em tempo: Ela havia perdido tudo com um filho que viva dando "Capote" na própria casa, bancando o vício. Fora viciada em bingo também, vá lá. Mas isso é outra história, todos têm seus pecados.
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Fé, ódio e loucura. O sangue de Ricardo subiu à cabeça, enquanto o da mãe corria ao chão. Dorote subia aos céus a golpes da faca de cozinha. Em seu último suspiro rogou: "Perdoa, ele não sabe o que faz". No fundo sabemos, ninguém teve culpa...
Fumaça branca de Francisco, em nome de Pedro. Fumaça amarela de Ricardo, em nome da pedra. Dorote, com fé, alcançará as nuvens em nome de Jesus. Amém.
Por: Coronel Malaquias
sábado, 16 de junho de 2012
Casa de swing? Sexo? Bebida?
"Sempre fui um frequentador assíduo de casas de swing. Falo pra minha mulher que jogo bola nos sábados à tarde, mas sempre vou a uma swingueira perto da minha casa pra fugir da rotina. No próximo dia 23 de junho, abrirei uma exceção, vou ao bar do Amigo Leal prestigiar o lançamento do livro 'As melhores histórias do Corrosivo Coletivo'". (Deoclécio Campanário, 45 anos, empresário e swinger)
"Tô meio depressiva. Sinto que no próximo sábado, 23 de junho, meu flat ficará às moscas. Meus clientes, que gostam de coisas sujas, sexo selvagem e fantasias escatológicas certamente estarão presentes no lançamento do livro 'As melhores histórias do Corrosivo Coletivo'". (Priscila Boca de Veludo, 26 anos, modelo e atriz)
"Sou um homem religioso, digno, respeitoso. Mas no fundo, no fundo, gosto do submundo, de swing, de sangue, de cachaça, vez ou outra até bato um tambor. Quando quero encontrar regozijo, leio as histórias do Corrosivo Coletivo, por isso, certamente estarei na festa de lançamento". (Adamastor Sereno, 53 anos, bispo e administrador de empresas)
"Tô meio depressiva. Sinto que no próximo sábado, 23 de junho, meu flat ficará às moscas. Meus clientes, que gostam de coisas sujas, sexo selvagem e fantasias escatológicas certamente estarão presentes no lançamento do livro 'As melhores histórias do Corrosivo Coletivo'". (Priscila Boca de Veludo, 26 anos, modelo e atriz)
"Sou um homem religioso, digno, respeitoso. Mas no fundo, no fundo, gosto do submundo, de swing, de sangue, de cachaça, vez ou outra até bato um tambor. Quando quero encontrar regozijo, leio as histórias do Corrosivo Coletivo, por isso, certamente estarei na festa de lançamento". (Adamastor Sereno, 53 anos, bispo e administrador de empresas)
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