Depois de um retiro isolado, Albert teve uma revelação. Um ser de luz lhe disse que ele era o escolhido para levar a paz ao seu próprio coração. Criou assim uma fé que não tinha ninguém mais que a si, Igreja da Solidão.
A ele pregava, a ele abençoava, a ele tirava maldição cobrando 10% ou mais do quinhão que ganhava. Vivia feliz consigo mesmo, onde fosse enviado, pregando a si mesmo que ele era o melhor líder religioso que tinha encontrado.
Mas se sabe, a carne é fraca, um dia ele caiu no pecado. Segundo seus preceitos foi condenado por ter com um membro de outra religião no caixa do supermercado. Tentou justificar argumentando que o outro era prosélito, em vão. A desculpa incoerente piorou a situação: "caberá dois na igreja da solidão?". O ato que em branco não passaria, pois fora da sua seita, gente boa não haveria, levou Albert a auto-expulsão. Pagando a pena imposta pela sua crendice, se revoltou achando aquilo tolice. Foi certo buscar em outras casas o pão que a sua lhe negou.
Mesmo em meio a multidão não se encontrou. Rodeado de pessoas pensava "sozinho ainda estou". Num vazio que nunca de fato encerrou, essa busca que se manifesta, vê que não tem saída, pede perdão e confessa: "Filho pródigo eu, aqui estou!". A ele mesmo aceitou como pecador arrependido e subjugado, nunca mais teria com o mundo falido de que tinha se apartado. A Igreja da Solidão prosperou, com a lei maior que Albert determinou: "apenas um membro", pastor e ovelha ao mesmo tempo, e com choro e Amém o culto se encerrou.
por Coronel Malaquias
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Dos Jardins do Éden ao Inferno - Parte 2
Levaram-me, encapuzado, a um lugar que desconhecia a existência, mas fedia esgoto e mirava cortiços.Carros e motos velhas, muito mato e terra no chão. Que nojo!
Via o preto que me rendera acariciar uma mulher. Me enojara aquelas peles marrons trocando carícias, mas me surtiu uma ponta de inveja. Há anos não trocava carícias tão sinceras quanto aquelas que via. Percebi que ninguém me amava, apesar de eu ter dinheiro.
Veio também uma criança, o preto a abraçou, beijou. Percebi que não era cativeiro profissional (se é que isso existe), mas uma residencia, possivelmente deles. Uma casa suja. A mulher implorou para que deixasse aquilo e me libertasse. Surpreso, pensei: "Ela, tendo misericórdia de mim?" Minha ponta de inveja passou, nunca deixaria alguém do baixo limbo sentir pena de mim. Solto mataria os três, Victoria e o outro comparsa que não mais vi. Canalhas!
Eram meus minutos finais, pressentia. Um cano de grosso calibre e cheirando pólvora pairava perto de minha boca pedindo grana. Me lembrava da infância e juventude, onde canos de calibres semelhantes jorravam em mim com cheiro de meus segredos de prazer. Ahh Armandinho...lembrei de tuas carícia, onde andas? Lembrei das caricias do preto na mulher e na criança. Lembrei da orgia que imaginei quando eles abriram a porta do flat...
Olhei para o lado, vi uma moto com baú. Maldito motoboy! Me arrependo da capacidade de pensar.
Ele me pressionou em vão. Chamei aquele preto de preto, de favelado. Disse que não tinha grana, que estava falido. Era minha última verdade. Verdade rara. Ele apertou o gatilho três vezes com brados: "Playboy filho da puta, te soltaria por uma nota de cinco, mas não perdoo injuria!". Vejo meu corpo estirado no chão, sangue jorra. A mulher chorando com a criança, desespero. O homem fugindo, sofrimento e dor. Eu apenas rio, que se fodam!
Nasci nos Jardins, cresci no Éden. Comi do maná da sabedoria e tive de escolher entre bem e mal. Optei pelo conveniente. Agora, uma capa vermelha, chifres. O grande arquiteto a me conduzir para a fogueira. Será que reencontrarei amigos? Ao menos isso, amém.
por Coronel Malaquias
Via o preto que me rendera acariciar uma mulher. Me enojara aquelas peles marrons trocando carícias, mas me surtiu uma ponta de inveja. Há anos não trocava carícias tão sinceras quanto aquelas que via. Percebi que ninguém me amava, apesar de eu ter dinheiro.
Veio também uma criança, o preto a abraçou, beijou. Percebi que não era cativeiro profissional (se é que isso existe), mas uma residencia, possivelmente deles. Uma casa suja. A mulher implorou para que deixasse aquilo e me libertasse. Surpreso, pensei: "Ela, tendo misericórdia de mim?" Minha ponta de inveja passou, nunca deixaria alguém do baixo limbo sentir pena de mim. Solto mataria os três, Victoria e o outro comparsa que não mais vi. Canalhas!
Eram meus minutos finais, pressentia. Um cano de grosso calibre e cheirando pólvora pairava perto de minha boca pedindo grana. Me lembrava da infância e juventude, onde canos de calibres semelhantes jorravam em mim com cheiro de meus segredos de prazer. Ahh Armandinho...lembrei de tuas carícia, onde andas? Lembrei das caricias do preto na mulher e na criança. Lembrei da orgia que imaginei quando eles abriram a porta do flat...
Olhei para o lado, vi uma moto com baú. Maldito motoboy! Me arrependo da capacidade de pensar.
Ele me pressionou em vão. Chamei aquele preto de preto, de favelado. Disse que não tinha grana, que estava falido. Era minha última verdade. Verdade rara. Ele apertou o gatilho três vezes com brados: "Playboy filho da puta, te soltaria por uma nota de cinco, mas não perdoo injuria!". Vejo meu corpo estirado no chão, sangue jorra. A mulher chorando com a criança, desespero. O homem fugindo, sofrimento e dor. Eu apenas rio, que se fodam!
Nasci nos Jardins, cresci no Éden. Comi do maná da sabedoria e tive de escolher entre bem e mal. Optei pelo conveniente. Agora, uma capa vermelha, chifres. O grande arquiteto a me conduzir para a fogueira. Será que reencontrarei amigos? Ao menos isso, amém.
por Coronel Malaquias
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segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Dos Jardins do Éden ao Inferno - Parte 1
Na sexta, torcia para que o trânsito da 23 fosse acidente. Primeiro que um motoboy a menos seria um favor à cidade, segundo que, quando tem acidente, ao menos o transito flui após o resgate.
Uma ligação no smartphone, era o Carlos da portaria: "Senhor Alberto, Victória já o aguarda no saguão". Avisei que atrasaria devido ao trânsito e que pedisse desculpas. Não precisava pedir desculpas a quem eu pago, mas fiz por polidez.
Terminei meu expediente saindo do estúdio em direção ao flat, encontrar a Victoria. Por mais que o estúdio esteja em concordata, o luxo me é necessário. Mesmo atrasando salários, uma boa refeição é o mínimo que mereço. E funcionário é tudo igual, pagando em dia ou não, servirão com desdém. E quem desdenha quer comprar.
Sou um gentleman, mesmo. Levei-a para jantar! Um homem deve ter bons hábitos, até com pessoas da baixa. Fomos a um restaurante fino dos Jardins, próximo ao flat. O restaurante proporcionava discrição, pratos exóticos e sabores únicos. Essas acompanhantes geralmente são pobres, e como gosto de ver pobre se maravilhando! É minha pecha de bondade.
Victoria era uma jovem que se dizia estudante. Pele branca, normal, cabelos louros, como todos deveriam ter e curvas exemplares. Ela satisfez meus desejos. O que pedia ela atendia, como uma serva fiel. Senti que o preço, apesar de caro, era bem pago. Mas só pago bem às louras e brancas. Morenas valem menos. Negras, prefiro não solicitar. Meu pai me ensinou bem que não devemos nos misturar à criadagem.
Desde que me separei de minha quarta mulher, descobri que meretrizes eram mais baratas e convenientes. Afinal, já diz o ditado: "Pagamos às putas para irem embora, não para ter sexo.". Conveniente e barato. Mas esse barato me saiu caro.
No final da noite, a porta de Flat abriu. Entraram dois homens bem vestidos, negros, porém, grandes. A ponta de tesão que me surtiu, pensando em sacanagem, sumiu em segundos. Autorizados por Victoria, que me seduziu com pretexto de uma surpresa, logo me renderam e pediram para descer discretamente para a garagem. De lá, seguimos sem rumo. Eu encapuzado, eles rindo. Sequestro relâmpago de arquiteto falido finda em morte, eu sei... seria, então, meu fim?
(CONTINUA)
por Coronel Malaquias
Uma ligação no smartphone, era o Carlos da portaria: "Senhor Alberto, Victória já o aguarda no saguão". Avisei que atrasaria devido ao trânsito e que pedisse desculpas. Não precisava pedir desculpas a quem eu pago, mas fiz por polidez.
Terminei meu expediente saindo do estúdio em direção ao flat, encontrar a Victoria. Por mais que o estúdio esteja em concordata, o luxo me é necessário. Mesmo atrasando salários, uma boa refeição é o mínimo que mereço. E funcionário é tudo igual, pagando em dia ou não, servirão com desdém. E quem desdenha quer comprar.
Sou um gentleman, mesmo. Levei-a para jantar! Um homem deve ter bons hábitos, até com pessoas da baixa. Fomos a um restaurante fino dos Jardins, próximo ao flat. O restaurante proporcionava discrição, pratos exóticos e sabores únicos. Essas acompanhantes geralmente são pobres, e como gosto de ver pobre se maravilhando! É minha pecha de bondade.
Victoria era uma jovem que se dizia estudante. Pele branca, normal, cabelos louros, como todos deveriam ter e curvas exemplares. Ela satisfez meus desejos. O que pedia ela atendia, como uma serva fiel. Senti que o preço, apesar de caro, era bem pago. Mas só pago bem às louras e brancas. Morenas valem menos. Negras, prefiro não solicitar. Meu pai me ensinou bem que não devemos nos misturar à criadagem.
Desde que me separei de minha quarta mulher, descobri que meretrizes eram mais baratas e convenientes. Afinal, já diz o ditado: "Pagamos às putas para irem embora, não para ter sexo.". Conveniente e barato. Mas esse barato me saiu caro.
No final da noite, a porta de Flat abriu. Entraram dois homens bem vestidos, negros, porém, grandes. A ponta de tesão que me surtiu, pensando em sacanagem, sumiu em segundos. Autorizados por Victoria, que me seduziu com pretexto de uma surpresa, logo me renderam e pediram para descer discretamente para a garagem. De lá, seguimos sem rumo. Eu encapuzado, eles rindo. Sequestro relâmpago de arquiteto falido finda em morte, eu sei... seria, então, meu fim?
(CONTINUA)
por Coronel Malaquias
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