- Seguinte, você vai ter que carregar essa tora de madeira até o alto daquele morro sozinho e nas costas.
- Ok, aguento.
- Chegando lá, uma galera vai te espancar, xingar, humilhar até você cair.
- Ta bom...
- Depois esse pessoal te debruça na madeira, te amarra, te chicoteia até sangrar.
- Vamos nessa!
- Tu é macho! Depois os cara vão empalar você pelo cú, pra você secar no sol do meio dia.
- Vou, pô!
- Vão te dar tiro de 12, estragar o velório...
- Topo!
- Vão picar você começando pelo pé. Olha...
- Bora!
- Depois vão fazer microondas...
- Bora fio, aguento tudo... bora, bora!
- Bora mesmo, cabra? Vão fazer cocega no teu sovaco, cantar Arrocha na sua orelha...
- Bora, carai!!!
- Sua mulher pediu pra ter uma conversa com você lá em cima.
- É... se ela puder esperar eu descer, melhor...
por Coronel Malaquias
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
sexta-feira, 13 de março de 2015
Trato feito
Adorado pela igreja e no terceiro mandato em Brasília, Pastor
Ferrúcio tinha a vida que pediu a Deus. Ou ao diabo. A fachada de político e
religioso escondia uma vida desregrada. Prostitutas de luxo, carrões, vínculos
com personagens obscuros.
A Polícia Federal não estava para brincadeira. A
TV noticiava os desdobramentos da Operação Bahamas. Lavagem de dinheiro,
propina, evasão de divisas. Ferrúcio tinha parte no rolo.
De olho na repercussão, o partido o abandonara e a igreja pressionava. O advogado avisou:
“A coisa tá feia. Qualquer coisa, a gente negocia uma delação premiada”. O
deputado se desesperava. Tarde da noite o telefone tocou. Número restrito. Do outro
lado, uma voz indecifrável deu a letra: Quem
pode resolver seu problema está no endereço assim e assado, esteja lá assim que
anoitecer. As frases eram embaladas por um reverberar de cavernas. O interlocutor
estava muito longe dali.
Um boteco de madeira, construção precária no meio do Sol
Nascente. Foi sozinho e encontrou um moreno espichado. Ferrúcio recusou um gole
de cerveja, cachaça ou guaraná. Queria ir direto ao assunto. Acompanhou o
moreno até um porão imenso e iluminado a velas. O acordo era simples: Ferrúcio
se livrava da investigação em troca de sua alma. Mas antes, avisou o canhoto,
ele teria de saber como e quando iria morrer. Uma galinha surgida não se sabe
de onde foi degolada e, na poça formada pelo sangue, Ferrúcio viu o futuro. Eu nem estou tão velho assim, murmurou
para ninguém, pois o moreno já havia se esfumado. Naquela noite, dormiu com um
travo metálico na alma, um sopro gelado no fundo do peito.
Os dias se passaram e a situação continuava calamitosa. Um
doleiro caiu no grampo da Federal citando o nome de Ferrúcio. É questão de tempo, lamentou o advogado.
Somado ao desespero vinha o ódio por ter caído em tacanho golpe de
feitiçaria. Saiu caminhar para aliviar os pensamentos, quando foi colhido por
uma BMW preta em altíssima velocidade. Nem mesmo a morte fora parecida com a
vislumbrada no sangue de galinha. Ferrúcio partiu exatamente dois dias antes da
divulgação da lista dos investigados. Seu nome não fazia parte da relação.
Enquanto populares se aglomeravam em volta do corpo, já a quilômetros
dali um moreno canhoto dirigia tranquilamente seu sedã alemão. Político, só com pagamento adiantado.
Por Guinea Pig
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Apenas um Membro
Depois de um retiro isolado, Albert teve uma revelação. Um ser de luz lhe disse que ele era o escolhido para levar a paz ao seu próprio coração. Criou assim uma fé que não tinha ninguém mais que a si, Igreja da Solidão.
A ele pregava, a ele abençoava, a ele tirava maldição cobrando 10% ou mais do quinhão que ganhava. Vivia feliz consigo mesmo, onde fosse enviado, pregando a si mesmo que ele era o melhor líder religioso que tinha encontrado.
Mas se sabe, a carne é fraca, um dia ele caiu no pecado. Segundo seus preceitos foi condenado por ter com um membro de outra religião no caixa do supermercado. Tentou justificar argumentando que o outro era prosélito, em vão. A desculpa incoerente piorou a situação: "caberá dois na igreja da solidão?". O ato que em branco não passaria, pois fora da sua seita, gente boa não haveria, levou Albert a auto-expulsão. Pagando a pena imposta pela sua crendice, se revoltou achando aquilo tolice. Foi certo buscar em outras casas o pão que a sua lhe negou.
Mesmo em meio a multidão não se encontrou. Rodeado de pessoas pensava "sozinho ainda estou". Num vazio que nunca de fato encerrou, essa busca que se manifesta, vê que não tem saída, pede perdão e confessa: "Filho pródigo eu, aqui estou!". A ele mesmo aceitou como pecador arrependido e subjugado, nunca mais teria com o mundo falido de que tinha se apartado. A Igreja da Solidão prosperou, com a lei maior que Albert determinou: "apenas um membro", pastor e ovelha ao mesmo tempo, e com choro e Amém o culto se encerrou.
por Coronel Malaquias
A ele pregava, a ele abençoava, a ele tirava maldição cobrando 10% ou mais do quinhão que ganhava. Vivia feliz consigo mesmo, onde fosse enviado, pregando a si mesmo que ele era o melhor líder religioso que tinha encontrado.
Mas se sabe, a carne é fraca, um dia ele caiu no pecado. Segundo seus preceitos foi condenado por ter com um membro de outra religião no caixa do supermercado. Tentou justificar argumentando que o outro era prosélito, em vão. A desculpa incoerente piorou a situação: "caberá dois na igreja da solidão?". O ato que em branco não passaria, pois fora da sua seita, gente boa não haveria, levou Albert a auto-expulsão. Pagando a pena imposta pela sua crendice, se revoltou achando aquilo tolice. Foi certo buscar em outras casas o pão que a sua lhe negou.
Mesmo em meio a multidão não se encontrou. Rodeado de pessoas pensava "sozinho ainda estou". Num vazio que nunca de fato encerrou, essa busca que se manifesta, vê que não tem saída, pede perdão e confessa: "Filho pródigo eu, aqui estou!". A ele mesmo aceitou como pecador arrependido e subjugado, nunca mais teria com o mundo falido de que tinha se apartado. A Igreja da Solidão prosperou, com a lei maior que Albert determinou: "apenas um membro", pastor e ovelha ao mesmo tempo, e com choro e Amém o culto se encerrou.
por Coronel Malaquias
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Coração de Jacaré
Sexta-feira 13 de Carnaval. Josmedir abusava da bebida.
Cachaça, caipirinha, cerveja, rabo de galo, maria-mole. Roubaram o coração da minha sogra, botaram coração de jacarééééé...,
animado pelas marchinhas, abraçava o mulherio e alguns marmanjos. Josmedir
adorava a folia.
Lá pelas tantas, trombou uma moça loura, novinha. Um tesão. O
papo colou. Josmedir bebeu mais um pouco. A coisa esquentou. Aqui não, tem muita gente, protestou a
menina. Pegou-o pela mão e o levou para longe dali. Passaram o asfalto,
entraram na mata e Josmedir viu um cemitério. Um cemitério que nunca pensou ter
existido por ali. Vem, convidou a
mocinha, deitada numa lápide, oferecendo-se toda. Tem que ser aqui, explicou.
Colocar-se em pé diante de tamanha intoxicação etílica foi
difícil, mas perfeitamente possível diante de algumas tentativas e o auxílio
prestimoso da lourinha. Saíram dali tão logo acabaram. Voltaram à festa e se
perderam entre os foliões. Josmedir acordou no dia seguinte, em sua cama, com
vagas lembranças do ocorrido.
Procurou-a por toda parte. No sábado, vislumbrou a cabeleira
loura entre um bloco de homens-cone. Correu para lá, mas não a alcançou. No
domingo, teve a certeza de que a ouvira chamar por ele. Passou a noite sóbrio,
olhando para os lados feito tonto. No corpo, jurava carregar o cheiro da
menina. Cheiro de flor, de vela derretida. Cheiro de cachoeira e de bicho que
vive no mato. De madrugada, sonhava. Via-a em todo lugar e, ao mesmo tempo, em
lugar nenhum.
Na última noite, sentiu uma mão em seus ombros. Atirou-se sobre
ela feito condenado. Beijava-a com sofreguidão, indagava sobre seu paradeiro. Estive por aí, simplificou. Voltaram ao cemitério, à mesma lápide,
onde Josmedir novamente a possuiu. Amaram-se e ele se deixou levar por uma onda
repentina. Como se acalentado em berço, dormiu.
Acordou na porrada, já com o dia claro e um cheiro
nauseabundo tomando conta. Estava deitado no chão, nu, sob botinadas dos
polícias. Foi levantado pelos cabelos e, entre gritos e sopapos, viu alguém
recolher um corpo acinzentado, sem cor de gente. A lápide estava violada. Em
sua cabeceira, uma foto da lourinha, seguida pela data de falecimento ainda
recente. Questão de semanas. Na delegacia, não conseguiu explicar algo que ele
mesmo jamais entenderia. No dia seguinte, os jornais noticiaram a prisão do ‘Necrófilo
do Embu’.
Por Guinea Pig
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Cabo de marfim
Parou com o cabrito no meio fio.
Distância segura, faróis apagados. O tempo seco garantia boa visualização. Os malas faziam a correria sem preocupação. Tudo deles, por ali. A
primeira fita foi com um casal. Entraram na casa, bateram no cara, folgaram e mamaram
nos peitos da patroa. Vazaram levando dois contos. Na rua, um nóia colou. O
alemãozinho saiu para buscar a parada. Do carro, acompanhou-o com os olhos até dobrar
a esquina. O negrão ficou. Ele e o nóia trocaram uma ideia. O alemão voltou,
entregou, pegou a grana. Saíram dali,
para dar um tempo e desbaratinar.
O segundo BO foi com família. Enfiaram o canhão na cara do moleque, tocaram o terror no pai, estapearam a mãe. Levaram roupas e uma merreca em grana. Dois roubos de cara limpa. Um loirinho e um moreno, mais para negrão. A arma em ambas as ocorrências: um 38 com cabo de marfim.
O segundo BO foi com família. Enfiaram o canhão na cara do moleque, tocaram o terror no pai, estapearam a mãe. Levaram roupas e uma merreca em grana. Dois roubos de cara limpa. Um loirinho e um moreno, mais para negrão. A arma em ambas as ocorrências: um 38 com cabo de marfim.
Voltaram. Fumaram um cigarro e
esperaram. Ligeiros, faziam as fitas longe dali para não irritar o patrão.
Tráfico e 157. Uma vela para Deus e outra para o diabo. Uma moto colou. Dessa
vez o alemão ficou e o outro saiu.
Chegar nos malas foi fácil. Charlie levanta o serviço, Mike dá o bote. Em tese. Mas
ele ia reclamar? Também tinha seus negócios lá dentro. Legítima defesa,
resistência à prisão. "O suspeito abriu fogo"; “As câmeras
de vigilância encontravam-se desativadas”; “A testemunha não foi localizada”.
Semana anterior. Chácara de bacana. Serviço dado: quinze paus guardados no cofre. Joias, relógios, celulares, eletrônicos e o caralho a quatro. Os malas se animaram com o bar e chaparam. O alemão deu uma de Jack e comeu a dona. O negrão fez o marido ver. Na cabeça do sujeito, um 38 reluzente com o cabo em marfim. Depois enfiaram o casal no carro, levaram para uma quebrada. Com os dois amarrados, soltaram num barranco. A mulher se machucou. O cara virou um vegetal. O recado chegou até ele para que fosse tomada uma atitude. Os Charlies lavavam as mãos.
Semana anterior. Chácara de bacana. Serviço dado: quinze paus guardados no cofre. Joias, relógios, celulares, eletrônicos e o caralho a quatro. Os malas se animaram com o bar e chaparam. O alemão deu uma de Jack e comeu a dona. O negrão fez o marido ver. Na cabeça do sujeito, um 38 reluzente com o cabo em marfim. Depois enfiaram o casal no carro, levaram para uma quebrada. Com os dois amarrados, soltaram num barranco. A mulher se machucou. O cara virou um vegetal. O recado chegou até ele para que fosse tomada uma atitude. Os Charlies lavavam as mãos.
Deu a partida e saiu devagar,
sem pressa. Contornou mais adiante, acessou a outra mão. Chegou perto e
acelerou. Pegou os malas de surpresa. O para-choque esmigalhou ossos, rasgou
fundo. Perdeu um dos faróis. Uma cabeça trincou o para-brisa. Alguma coisa
rolou por cima do carro. Desceu de Glock na mão. Duas balas para cada um. Virou
o corpo do alemãozinho. A arma era bonita. O acabamento em marfim, delicado. Coisa
de artista. Foi embora, levando o souvenir.
Por: Guinea Pig
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Mulher de Boate
Toda noite era a mesma coisa. Escolhia-a, não sem calculada
demora. No balcão, uma cerveja. Depois, fazia sinal para que se aproximasse e
pagava a dose. Terminavam num quarto triste, de paredes beges e lençóis curtidos.
Tomava-a pela frente, por trás, lambuzava-a a boca. Perdiam-se por infinitos
caminhos até a batida na porta. De volta ao salão tomava a segunda cerveja,
pagava outra dose a preço inflacionado. Ia embora cedo, com a certeza de que
voltaria na noite seguinte.
Carinhoso, vez ou outra entregava presentes. Perfumes,
chocolates, pelúcias. Coisas de puta. De certa feita bebeu demais e propôs: “Pega
tuas coisas, vem viver comigo”. Ela calou, depois sorriu e o engoliu por
inteiro. Deixou que terminasse dentro dela.
Na noite seguinte não a encontrou na boate. No terceiro dia
de sumiço, continuou a fazer perguntas. As respostas limitavam-se ao silêncio e
expressões de pesar. Domingo à tarde foi abordado por dois sujeitos num Santana
preto. Levaram-no para lugar incerto, onde foi surrado e currado. A menina era gaveta de um Papa Charlie da 17ª. Se quisesse
ficar com a putinha, avisaram, teria de pagar. Deram o preço enquanto mijavam
em cima dele. Acordou em casa, costurado, enfaixado, queimando em febre. Ela
estava lá, de mala e cuia.
Sedado e imobilizado, jamais percebeu o movimento de homens que
eram atendidos no quarto ao lado. Quando finalmente se recuperou, a dívida com
o Charlie estava quitada.
Por: Voltaire de Abreu
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Vai e vem - O crime que compensa
Amigo do rei, amigo da fábrica,
Em Pasárgada eu sou o ladrão.
A mando do rei, a mando da fábrica,
Eu assolo aquela nação.
Eu roubo tudo de seu quinhão,
As vistas do rei, as vistas da fábrica.
Bem longe do rei, bem longe da fábrica,
Fujo, vendo tudo no sertão.
Perseguido do rei, perseguido da fábrica,
Eu me finjo de homem cão.
Sou muito útil a situação,
Situação do rei, situação da fábrica.
Se roubo do pobre, nobre cidadão,
Que vota no rei, que volta da fábrica.
Ele compra de novo à prestação,
Na loja do rei, direto da fábrica.
Sou ferramenta de argumentação,
Campanha do rei, paga pela fábrica.
Mandato do rei, lucros da fábrica,
Mesmo o crime tem lá sua função.
Por Coronel Malaquias
Em Pasárgada eu sou o ladrão.
A mando do rei, a mando da fábrica,
Eu assolo aquela nação.
Eu roubo tudo de seu quinhão,
As vistas do rei, as vistas da fábrica.
Bem longe do rei, bem longe da fábrica,
Fujo, vendo tudo no sertão.
Perseguido do rei, perseguido da fábrica,
Eu me finjo de homem cão.
Sou muito útil a situação,
Situação do rei, situação da fábrica.
Se roubo do pobre, nobre cidadão,
Que vota no rei, que volta da fábrica.
Ele compra de novo à prestação,
Na loja do rei, direto da fábrica.
Sou ferramenta de argumentação,
Campanha do rei, paga pela fábrica.
Mandato do rei, lucros da fábrica,
Mesmo o crime tem lá sua função.
Por Coronel Malaquias
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Casa da Sogra
Alice sempre foi moça certa. De religião cristã e primeira de quatro filhos, casou-se aos dezessete com Genivaldo, seu primeiro namorado. Finda a festança, foram morar com Dona Euclídia, a mãe de Genivaldo, até que a casa que construíam estivesse pronta. Dona Euclídia, aos 38 anos, fora casada com Manolo, um português que morrera quando Genivaldo ainda era criança, numa orgia regada a uísque e cocaína.
O primeiro ano de convivência com a sogra foi o pior da vida da moça. Sistemática, autoritária, cínica e intrometida, Dona Euclídia tinha de jovial o que tinha de difícil: botava defeito em tudo, da forma como Alice lavava a roupa do marido à mistura do almoço. Certo dia, deu para implicar com as roupas da nora que, segundo ela, eram muito curtas. Genivaldo interveio, provando por a+b que as vestimentas de Alice, um vestido de viscose para baixo dos joelhos e um casaquinho de lã, estavam perfeitamente adequados para uma moça casada.
Numa manhã de sábado, enquanto estendia os lençóis no varal, Alice ouviu alguém bater palmas no portão. Correu para lá, mas encontrou apenas um envelope com seu nome, cujo conteúdo era uma folha de caderno com os seguintes dizeres, escritos à caneta: “Rua das Maritacas, 456, 22h30, hoje. Saberás quem é o teu marido”. Engoliu em seco, amassou o bilhete e angustiou-se. Pensava em quem poderia estar fazendo aquilo. Seria uma piada? Um golpe? Pelo sim, pelo não, no entanto, apareceu no local indicado às 22h25, bem em tempo de ver Genivaldo entrando todo serelepe no que descobriu ser uma casa de swing.
Já furiosa com toda a situação, Alice entrou atrás do marido e deparou-se com um ambiente dançante e escuro. Seguiu para uma escada cheia de espelhos que a conduziu a um corredor repleto de portas, sofás, janelas e pessoas. Pessoas seminuas, nuas, algumas quase do avesso. Ficou paralisada observando uma loira de seios avantajados sendo enrabada por um mulato, enquanto chupava o pau de um rapaz alto e de feições juvenis. Não podia acreditar que aquilo estivesse acontecendo bem ali, na frente de toda aquela gente. Olhou para os lados e viu mais três homens contemplando a cena, dois já abaixando as calças, não sabia se para se para se tocar ou participar do come-come. Mais do que depressa, apesar da sensação de irrealidade, Alice percorreu alguns metros entre pessoas se beijando e seios de fora, até avistar Genivaldo. Refestelado num sofá, o rapaz permanecia de olhos fechados enquanto uma morena acima do peso lambia-lhe as bolas. A esposa traída já estava para voar sobre os cabelos da morena, quando sentiu braços fortes segurando-a. O rapaz alto terminara com a loira e encostou Alice na parede, com a bunda dela encaixada nele. Alice quis gritar, mas dopada de ódio, surpresa e um repentino desejo de revide, deixou-se apertar, enquanto outro par de mãos erguia-lhe a saia. “Falei que era curta demais...”, disse uma voz suave vinda da mulher que beijava suas coxas. “Dona Euclídia! Mas o quê...?” Não teve tempo de terminar a frase, o rapaz alto deitou-a num sofá-cama, arrancou-lhe a calcinha de algodão e segurou seus braços finos, enquanto Dona Euclídia, num vestidinho laranja colado que deixava ver todos os pelos da vulva, chupava-lhe o grelo. Usou a língua, os lábios, os dedos, dois consolos enormes. Alice contorcia-se de prazer e gozou duas vezes enquanto a sogra acariciava seus pequenos seios e o rapaz alto fazia as vezes por trás. Deixou a casa às 2h, trôpega, todos os orifícios doendo e um rombo na alma. Como olharia para Genivaldo e Dona Euclídia dali para frente?
Para sua surpresa, Genivaldo, tão entretido estava com a morena, não a vira no swing, e Dona Euclídia... Bem, acordava Alice todas as noites com vigorosas lambidas e dedos ágeis, tratando-a normalmente durante o dia. “Mas isso não está certo”, debatia-se a moça entre preceitos religiosos e morais. Algum tempo depois, a consciência deu seu veredicto: Alice decidiu acabar com todo o sofrimento, pois não podia nem imaginar o que faria o marido se soubesse da sem-vergonhice. Apanhou a arma do pai de Genivaldo, de dentro da cômoda, e atirou na boca do esposo que dormia. Dois tiros para ter certeza.
Hoje vive feliz com Dona Euclídia e seus dotes orais. O rapaz alto vem toda sexta para ajudar com a saia excessivamente curta da moça, e Genivaldo descansa em paz e ignorância sob a figueira do jardim.
Por: Maphalda Rios
O primeiro ano de convivência com a sogra foi o pior da vida da moça. Sistemática, autoritária, cínica e intrometida, Dona Euclídia tinha de jovial o que tinha de difícil: botava defeito em tudo, da forma como Alice lavava a roupa do marido à mistura do almoço. Certo dia, deu para implicar com as roupas da nora que, segundo ela, eram muito curtas. Genivaldo interveio, provando por a+b que as vestimentas de Alice, um vestido de viscose para baixo dos joelhos e um casaquinho de lã, estavam perfeitamente adequados para uma moça casada.
Numa manhã de sábado, enquanto estendia os lençóis no varal, Alice ouviu alguém bater palmas no portão. Correu para lá, mas encontrou apenas um envelope com seu nome, cujo conteúdo era uma folha de caderno com os seguintes dizeres, escritos à caneta: “Rua das Maritacas, 456, 22h30, hoje. Saberás quem é o teu marido”. Engoliu em seco, amassou o bilhete e angustiou-se. Pensava em quem poderia estar fazendo aquilo. Seria uma piada? Um golpe? Pelo sim, pelo não, no entanto, apareceu no local indicado às 22h25, bem em tempo de ver Genivaldo entrando todo serelepe no que descobriu ser uma casa de swing.
Já furiosa com toda a situação, Alice entrou atrás do marido e deparou-se com um ambiente dançante e escuro. Seguiu para uma escada cheia de espelhos que a conduziu a um corredor repleto de portas, sofás, janelas e pessoas. Pessoas seminuas, nuas, algumas quase do avesso. Ficou paralisada observando uma loira de seios avantajados sendo enrabada por um mulato, enquanto chupava o pau de um rapaz alto e de feições juvenis. Não podia acreditar que aquilo estivesse acontecendo bem ali, na frente de toda aquela gente. Olhou para os lados e viu mais três homens contemplando a cena, dois já abaixando as calças, não sabia se para se para se tocar ou participar do come-come. Mais do que depressa, apesar da sensação de irrealidade, Alice percorreu alguns metros entre pessoas se beijando e seios de fora, até avistar Genivaldo. Refestelado num sofá, o rapaz permanecia de olhos fechados enquanto uma morena acima do peso lambia-lhe as bolas. A esposa traída já estava para voar sobre os cabelos da morena, quando sentiu braços fortes segurando-a. O rapaz alto terminara com a loira e encostou Alice na parede, com a bunda dela encaixada nele. Alice quis gritar, mas dopada de ódio, surpresa e um repentino desejo de revide, deixou-se apertar, enquanto outro par de mãos erguia-lhe a saia. “Falei que era curta demais...”, disse uma voz suave vinda da mulher que beijava suas coxas. “Dona Euclídia! Mas o quê...?” Não teve tempo de terminar a frase, o rapaz alto deitou-a num sofá-cama, arrancou-lhe a calcinha de algodão e segurou seus braços finos, enquanto Dona Euclídia, num vestidinho laranja colado que deixava ver todos os pelos da vulva, chupava-lhe o grelo. Usou a língua, os lábios, os dedos, dois consolos enormes. Alice contorcia-se de prazer e gozou duas vezes enquanto a sogra acariciava seus pequenos seios e o rapaz alto fazia as vezes por trás. Deixou a casa às 2h, trôpega, todos os orifícios doendo e um rombo na alma. Como olharia para Genivaldo e Dona Euclídia dali para frente?
Para sua surpresa, Genivaldo, tão entretido estava com a morena, não a vira no swing, e Dona Euclídia... Bem, acordava Alice todas as noites com vigorosas lambidas e dedos ágeis, tratando-a normalmente durante o dia. “Mas isso não está certo”, debatia-se a moça entre preceitos religiosos e morais. Algum tempo depois, a consciência deu seu veredicto: Alice decidiu acabar com todo o sofrimento, pois não podia nem imaginar o que faria o marido se soubesse da sem-vergonhice. Apanhou a arma do pai de Genivaldo, de dentro da cômoda, e atirou na boca do esposo que dormia. Dois tiros para ter certeza.
Hoje vive feliz com Dona Euclídia e seus dotes orais. O rapaz alto vem toda sexta para ajudar com a saia excessivamente curta da moça, e Genivaldo descansa em paz e ignorância sob a figueira do jardim.
Por: Maphalda Rios
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Da Gênese à Revelação
Ciça e Cido eram irmãos inseparáveis. Faziam de tudo juntos, ir a escola, ao parquinho, a missa, à padaria. Eram chamados de Siameses. Aprontavam juntos, brincavam juntos e até saiam para festas, paquerar e conhecer o mundo. Ciça aos 15, passou a namorar Aurélio. Aos 16 Cido encontra Helena e se juntam. O primeiro amor floresce para os dois, a beleza da vida.
Helena era uma garota como outras. Tinha seus caprichos, desejos, gostos e libido. Normal? Sim normal. A natureza segue seu curso como Deus criou. Com Cido não seria diferente, e eles descobriram a vida juntos, num misto de parceria, amizade e atração.
Já Aurélio era diferente. Fiel à crença de seus pais, não deixava de ir ao culto todo sábado. Não comia carne, nem de animais, nem do desejo. Suprimia seus instintos em prol da vida eterna que teria depois de morrer, onde fluiria o leite, o mel. Normal, sim normal. A vida segue como Deus escreveu. Ciça era resistente de início, mas aos poucos cedia. Aos poucos aceitava. Por fim, defendia.
Cido e Ciça lentamente se distanciavam, e distância dói. Doía mais em Cido que em Ciça, pois para ela, o irmão era pecador, pagão e idolatra. Ela aprendera do pastor motivos para rechaçar o irmão. O irmão, ao contrário, ainda a amava como desde o ventre da mãe, não entendia a perseguição.
Cido e Helena se casaram, tiveram filhos. Viajaram pelo mundo, compraram casa, carro, criaram os filhos com liberdade e carinho. Mas Cido, de sofrer de falta da irmã, evoluiu uma gastrite em ulcera, e de ulcera a câncer. Padeceu aos 50, deixando o amor na família e filhos, a união dos descendentes, uma nora grávida de uma promessa de amor eterno pelas gerações.
Ciça e Aurélio se casaram. Tiveram filhos sem métodos anticonceptivos. Eliminaram os "do mundo" de sua convivência. Criaram seus filhos longe dos "do mundo". Tudo isso em nome do deus que seguiam e segundo a regra do pastor, seu enviado. Ciça viveu até os 70. Pode bradar, no púlpito da congregação, em alto e bom tom, que o irmão morrera como pecador aos 50, pois se priva a vida longa aos que não o acreditam. Morreu do mesmo câncer que o irmão, da mesma angustia de não tê-lo por perto: Ele não aceitou a Promessa.
A vida seguiu a quem ficou, que distante cada vez mais se colocavam, cada um a sua maneira de ver o mundo e o além. Na gênese da trajetória dos irmãos siameses, a revelação foi o fim de tudo.
Por Coronel Malaquias
Helena era uma garota como outras. Tinha seus caprichos, desejos, gostos e libido. Normal? Sim normal. A natureza segue seu curso como Deus criou. Com Cido não seria diferente, e eles descobriram a vida juntos, num misto de parceria, amizade e atração.
Já Aurélio era diferente. Fiel à crença de seus pais, não deixava de ir ao culto todo sábado. Não comia carne, nem de animais, nem do desejo. Suprimia seus instintos em prol da vida eterna que teria depois de morrer, onde fluiria o leite, o mel. Normal, sim normal. A vida segue como Deus escreveu. Ciça era resistente de início, mas aos poucos cedia. Aos poucos aceitava. Por fim, defendia.
Cido e Ciça lentamente se distanciavam, e distância dói. Doía mais em Cido que em Ciça, pois para ela, o irmão era pecador, pagão e idolatra. Ela aprendera do pastor motivos para rechaçar o irmão. O irmão, ao contrário, ainda a amava como desde o ventre da mãe, não entendia a perseguição.
Cido e Helena se casaram, tiveram filhos. Viajaram pelo mundo, compraram casa, carro, criaram os filhos com liberdade e carinho. Mas Cido, de sofrer de falta da irmã, evoluiu uma gastrite em ulcera, e de ulcera a câncer. Padeceu aos 50, deixando o amor na família e filhos, a união dos descendentes, uma nora grávida de uma promessa de amor eterno pelas gerações.
Ciça e Aurélio se casaram. Tiveram filhos sem métodos anticonceptivos. Eliminaram os "do mundo" de sua convivência. Criaram seus filhos longe dos "do mundo". Tudo isso em nome do deus que seguiam e segundo a regra do pastor, seu enviado. Ciça viveu até os 70. Pode bradar, no púlpito da congregação, em alto e bom tom, que o irmão morrera como pecador aos 50, pois se priva a vida longa aos que não o acreditam. Morreu do mesmo câncer que o irmão, da mesma angustia de não tê-lo por perto: Ele não aceitou a Promessa.
A vida seguiu a quem ficou, que distante cada vez mais se colocavam, cada um a sua maneira de ver o mundo e o além. Na gênese da trajetória dos irmãos siameses, a revelação foi o fim de tudo.
Por Coronel Malaquias
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Pensamentos corrosivos
"Me considero o maior traidor do mundo, do umbigo pra baixo. Quem trai do umbigo pra cima é burro, pois trai sua própria consciência".
"Tenho três semelhanças com Jesus Cristo: amo o próximo, amo a liberdade e amo as putas. Jesus amou uma só e eu todas elas".
"Eles entram com o pinto, elas com a vagina. Eu só ofereço os lençois e as bebidas".
(Oscar Maroni, dono do Bahamas, maior centro de entretenimento masculino do país, no programa Pânico na Jovem Pan, 25 de setembro de 2013).
"Tenho três semelhanças com Jesus Cristo: amo o próximo, amo a liberdade e amo as putas. Jesus amou uma só e eu todas elas".
"Eles entram com o pinto, elas com a vagina. Eu só ofereço os lençois e as bebidas".
(Oscar Maroni, dono do Bahamas, maior centro de entretenimento masculino do país, no programa Pânico na Jovem Pan, 25 de setembro de 2013).
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Sexta-Feira 13!!!!
Nesta tão festiva sexta-feira, nosso amigo Jason Voorhees selecionou seus posts favoritos no Corrosivo Coletivo.
Confira a seleção de Voorhees, com direito a comentários e observações!
DEU MEIA NOITE
"Adoro essa história e, inclusive, conta-a aos meus filhos todas as noites, para fazê-los dormir. É tiro e queda para um sono tranquilo e revigorante".
CONVERSAS DE RODÍZIO
" Impossível não sentir fome! Durante a leitura, pode-se sentir o aroma das carnes e seus cortes nobres. Narrativa típica de Reverendo Lezzagon e seu estilo imprevisível".
SÃO CIPRIANO, CAPA DE AÇO
"Eis aqui um conto sério e com o respaldo do grande bruxo dos bruxos. O que seria do mundo sem os misticismos, não é mesmo? Um primor de sabedoria, da primeira à última linha".
PRAGA DE MÃE
"Ah, quantas saudades de minha mãezinha e dos momentos que passamos em Crystal Lake!! Quem não se deixa tocar por uma história dessas....(emocionado)...é porque nasceu de chocadeira..."
Confira a seleção de Voorhees, com direito a comentários e observações!
DEU MEIA NOITE
"Adoro essa história e, inclusive, conta-a aos meus filhos todas as noites, para fazê-los dormir. É tiro e queda para um sono tranquilo e revigorante".
CONVERSAS DE RODÍZIO
" Impossível não sentir fome! Durante a leitura, pode-se sentir o aroma das carnes e seus cortes nobres. Narrativa típica de Reverendo Lezzagon e seu estilo imprevisível".
SÃO CIPRIANO, CAPA DE AÇO
"Eis aqui um conto sério e com o respaldo do grande bruxo dos bruxos. O que seria do mundo sem os misticismos, não é mesmo? Um primor de sabedoria, da primeira à última linha".
PRAGA DE MÃE
"Ah, quantas saudades de minha mãezinha e dos momentos que passamos em Crystal Lake!! Quem não se deixa tocar por uma história dessas....(emocionado)...é porque nasceu de chocadeira..."
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Canceriano com ascendente Câncer
Amável e dócil, assim é a personalidade do nativo de câncer, que nasce entre 21/6 e 21/7. De humor instável, é regido pela lua que de fases vive. É emotivo, apegado, conselheiro, amigo e fiel. Mas gosta de sacanagem e prazeres, mesmo que platônicos. Abdica de tudo pela família. Apegado à mãe, possui as piores sogras. Não o contrarie, é de guardar mágoas.
Assim, Juvêncio começava todo dia. Lia seu perfil astral, seu mapa, o horóscopo, sempre em busca de encarar o problema com o auxilio das estrelas. Era cristão, espirita, budista e astrólogo. Fazia previsões aos amigos, com base na mandala astral. Ganhou até um baralho de tarô. Era chamado de mago. Era careca, às vezes chamado de Magoo também.
Uma dor no estomago o acometeu. Leu nos livros que Câncer tem propensão a problemas digestivos. Previu que era uma fase e que depois teria uma ascensão enorme na vida como um todo. De sal de fruta passou uns dias a esperar e, quando apertava a dor, uma ou outra simpatia fazia. Consolava.
Três meses depois, ascendeu espiritualmente aos Céus. Ao lado das constelações ficou. Era Câncer, com acendente e mortal Câncer, que no pâncreas não poupou nada até a metástase. Mirou tanto os astros que virou, para a filha pequena, uma estrelinha no céu.
Por Coronel Malaquias
Assim, Juvêncio começava todo dia. Lia seu perfil astral, seu mapa, o horóscopo, sempre em busca de encarar o problema com o auxilio das estrelas. Era cristão, espirita, budista e astrólogo. Fazia previsões aos amigos, com base na mandala astral. Ganhou até um baralho de tarô. Era chamado de mago. Era careca, às vezes chamado de Magoo também.
Uma dor no estomago o acometeu. Leu nos livros que Câncer tem propensão a problemas digestivos. Previu que era uma fase e que depois teria uma ascensão enorme na vida como um todo. De sal de fruta passou uns dias a esperar e, quando apertava a dor, uma ou outra simpatia fazia. Consolava.
Três meses depois, ascendeu espiritualmente aos Céus. Ao lado das constelações ficou. Era Câncer, com acendente e mortal Câncer, que no pâncreas não poupou nada até a metástase. Mirou tanto os astros que virou, para a filha pequena, uma estrelinha no céu.
Por Coronel Malaquias
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Dia do Sexo no Corrosivo Coletivo
Para comemorar tão ecumênica data, o Corrosivo Coletivo preparou uma coletânea com histórias que levantam até defunto. Confiram:
MONSTRO
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2013/01/monstro.html)
UM CASO MUITO ROMÂNTICO
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2013/07/um-caso-muito-romantico.html)
BUTTMAN
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2013/08/buttman.html)
NA LEVADA DO SWING
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2012/02/na-levada-do-swing.html)
A TRANSARINA
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2012/05/transarina.html)
SEXO SELVAGEM
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2012/12/sexo-selvagem.html)
MONSTRO
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2013/01/monstro.html)
UM CASO MUITO ROMÂNTICO
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2013/07/um-caso-muito-romantico.html)
BUTTMAN
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2013/08/buttman.html)
NA LEVADA DO SWING
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2012/02/na-levada-do-swing.html)
A TRANSARINA
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2012/05/transarina.html)
SEXO SELVAGEM
(http://www.corrosivocoletivo.blogspot.com.br/2012/12/sexo-selvagem.html)
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Cinzenta São Paulo
Era uma manhã nublada em São Paulo. A Faria Lima estava cinzenta, fria. Alfredo passaria por uma entrevista de emprego que mudaria o rumo da sua vida e da sua carreira. Com ele, Bruna, sua namorada.
-Vai dar tudo certo, tenho certeza
-É o que eu espero
Alfredo e Bruna namoravam há três anos, moravam na mesma cidade, tinham a mesma profissão. Entendiam-se em tudo.
-E aí, como foi?
-Deu certo, começo na próxima semana. Preciso arrumar minhas coisas e achar o apartamento.
-Que bom...
Na verdade, não estava nada bom. Bruna não gostou do rompimento de laços, por meses se sentiu sozinha, desolada, com saudades. Não suportou a longitude e rompeu o relacionamento.
-Tem certeza disso?
-Sim, eu tenho.
Anos se passaram, Alfredo mudou de emprego mais duas vezes. Mas, foi numa manhã de setembro de 2013, andando pela Faria Lima, que ele se lembrou daquele dia. Lembrou que, em meio ao cinza, avistou sua então namorada, com roupas neutras, mas com um guarda-chuva da cor do arco-íris, que coloria a cinzenta avenida.
Lembrou que tirou sarro dela pela escolha do acessório e que, com sorriso no rosto e olhar apaixonado, ela disse:
-Alguma coisa tem que colorir essa cidade, que seja o nosso amor.
Por: Clécia Amarantus
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Contagem Regressiva
No primeiro ano, ele aprendeu o que era dar 2. No terceiro, dava de quatro, fazia fama. Experimentou a pedra de 5, não curtiu. É rápido. Fazia quadradinho de 8 na vila, noia e viado.
Conseguiu uma carga do pino de 10. Esperto, fez grana. Mas logo assinou um 12 e ficou esperto. Deixou de ser 13 e depois de 14 meses fechou com o 15 quando voltou pra boca.
Pegou um 16 de vacilo com o bofe. Deu sorte. No dia, a reportagem cortou pra 18 bem nele. Brilhou na tela do 19 UHF, a estrela!
Já tinha 20 quando regrediu pro 12 e foi em cana de novo. Nem tinha 22, fez fama de 24 no xadrez. Mulher do povo. Já viu viado traficante? Era ele. De guia no peito e tudo.
Saiu com 25, profissional. Aprendeu atirar com 38, .40, 45. Preferiu sair dos dois dígitos, achava pouco. Arrumou um esportivo, pagou com nota de 100. No ponteiro era só 120, 150.
Na Vida Loka fez 157, 171, colarinho foi o auge. Tinha quase 180 bocas comendo na mão, distribuindo. Da Bolívia, prefixo PT193, sobrevoava o Mato Grosso. Carga boa e barata. Crescia numa PG.
Viciado em pó, era ligado no 220v. Ao mesmo tempo, patrão e noia. Caiu de novo por vacilo, regrediu. Acharam a 365 que jogou no mato quando matou o dono de uma 250. No latrocínio era amador.
Tinha digital e lasca de esmalte. Passou de 72 horas, livrou do flagrante, sorte. Pegou 48 anos, da máxima de 30. Na paz, cumpriria 1/6 para o Habeas Corpus, caía para 5. Costurando bola, virava 3, moleza.
Agora, o que importava era sair de lá por cima, oxalá ser a bicha número 1 do crime.
por Coronel Malaquias
Conseguiu uma carga do pino de 10. Esperto, fez grana. Mas logo assinou um 12 e ficou esperto. Deixou de ser 13 e depois de 14 meses fechou com o 15 quando voltou pra boca.
Pegou um 16 de vacilo com o bofe. Deu sorte. No dia, a reportagem cortou pra 18 bem nele. Brilhou na tela do 19 UHF, a estrela!
Já tinha 20 quando regrediu pro 12 e foi em cana de novo. Nem tinha 22, fez fama de 24 no xadrez. Mulher do povo. Já viu viado traficante? Era ele. De guia no peito e tudo.
Saiu com 25, profissional. Aprendeu atirar com 38, .40, 45. Preferiu sair dos dois dígitos, achava pouco. Arrumou um esportivo, pagou com nota de 100. No ponteiro era só 120, 150.
Na Vida Loka fez 157, 171, colarinho foi o auge. Tinha quase 180 bocas comendo na mão, distribuindo. Da Bolívia, prefixo PT193, sobrevoava o Mato Grosso. Carga boa e barata. Crescia numa PG.
Viciado em pó, era ligado no 220v. Ao mesmo tempo, patrão e noia. Caiu de novo por vacilo, regrediu. Acharam a 365 que jogou no mato quando matou o dono de uma 250. No latrocínio era amador.
Tinha digital e lasca de esmalte. Passou de 72 horas, livrou do flagrante, sorte. Pegou 48 anos, da máxima de 30. Na paz, cumpriria 1/6 para o Habeas Corpus, caía para 5. Costurando bola, virava 3, moleza.
Agora, o que importava era sair de lá por cima, oxalá ser a bicha número 1 do crime.
por Coronel Malaquias
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Dos Jardins do Éden ao Inferno - Parte 2
Levaram-me, encapuzado, a um lugar que desconhecia a existência, mas fedia esgoto e mirava cortiços.Carros e motos velhas, muito mato e terra no chão. Que nojo!
Via o preto que me rendera acariciar uma mulher. Me enojara aquelas peles marrons trocando carícias, mas me surtiu uma ponta de inveja. Há anos não trocava carícias tão sinceras quanto aquelas que via. Percebi que ninguém me amava, apesar de eu ter dinheiro.
Veio também uma criança, o preto a abraçou, beijou. Percebi que não era cativeiro profissional (se é que isso existe), mas uma residencia, possivelmente deles. Uma casa suja. A mulher implorou para que deixasse aquilo e me libertasse. Surpreso, pensei: "Ela, tendo misericórdia de mim?" Minha ponta de inveja passou, nunca deixaria alguém do baixo limbo sentir pena de mim. Solto mataria os três, Victoria e o outro comparsa que não mais vi. Canalhas!
Eram meus minutos finais, pressentia. Um cano de grosso calibre e cheirando pólvora pairava perto de minha boca pedindo grana. Me lembrava da infância e juventude, onde canos de calibres semelhantes jorravam em mim com cheiro de meus segredos de prazer. Ahh Armandinho...lembrei de tuas carícia, onde andas? Lembrei das caricias do preto na mulher e na criança. Lembrei da orgia que imaginei quando eles abriram a porta do flat...
Olhei para o lado, vi uma moto com baú. Maldito motoboy! Me arrependo da capacidade de pensar.
Ele me pressionou em vão. Chamei aquele preto de preto, de favelado. Disse que não tinha grana, que estava falido. Era minha última verdade. Verdade rara. Ele apertou o gatilho três vezes com brados: "Playboy filho da puta, te soltaria por uma nota de cinco, mas não perdoo injuria!". Vejo meu corpo estirado no chão, sangue jorra. A mulher chorando com a criança, desespero. O homem fugindo, sofrimento e dor. Eu apenas rio, que se fodam!
Nasci nos Jardins, cresci no Éden. Comi do maná da sabedoria e tive de escolher entre bem e mal. Optei pelo conveniente. Agora, uma capa vermelha, chifres. O grande arquiteto a me conduzir para a fogueira. Será que reencontrarei amigos? Ao menos isso, amém.
por Coronel Malaquias
Via o preto que me rendera acariciar uma mulher. Me enojara aquelas peles marrons trocando carícias, mas me surtiu uma ponta de inveja. Há anos não trocava carícias tão sinceras quanto aquelas que via. Percebi que ninguém me amava, apesar de eu ter dinheiro.
Veio também uma criança, o preto a abraçou, beijou. Percebi que não era cativeiro profissional (se é que isso existe), mas uma residencia, possivelmente deles. Uma casa suja. A mulher implorou para que deixasse aquilo e me libertasse. Surpreso, pensei: "Ela, tendo misericórdia de mim?" Minha ponta de inveja passou, nunca deixaria alguém do baixo limbo sentir pena de mim. Solto mataria os três, Victoria e o outro comparsa que não mais vi. Canalhas!
Eram meus minutos finais, pressentia. Um cano de grosso calibre e cheirando pólvora pairava perto de minha boca pedindo grana. Me lembrava da infância e juventude, onde canos de calibres semelhantes jorravam em mim com cheiro de meus segredos de prazer. Ahh Armandinho...lembrei de tuas carícia, onde andas? Lembrei das caricias do preto na mulher e na criança. Lembrei da orgia que imaginei quando eles abriram a porta do flat...
Olhei para o lado, vi uma moto com baú. Maldito motoboy! Me arrependo da capacidade de pensar.
Ele me pressionou em vão. Chamei aquele preto de preto, de favelado. Disse que não tinha grana, que estava falido. Era minha última verdade. Verdade rara. Ele apertou o gatilho três vezes com brados: "Playboy filho da puta, te soltaria por uma nota de cinco, mas não perdoo injuria!". Vejo meu corpo estirado no chão, sangue jorra. A mulher chorando com a criança, desespero. O homem fugindo, sofrimento e dor. Eu apenas rio, que se fodam!
Nasci nos Jardins, cresci no Éden. Comi do maná da sabedoria e tive de escolher entre bem e mal. Optei pelo conveniente. Agora, uma capa vermelha, chifres. O grande arquiteto a me conduzir para a fogueira. Será que reencontrarei amigos? Ao menos isso, amém.
por Coronel Malaquias
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segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Dos Jardins do Éden ao Inferno - Parte 1
Na sexta, torcia para que o trânsito da 23 fosse acidente. Primeiro que um motoboy a menos seria um favor à cidade, segundo que, quando tem acidente, ao menos o transito flui após o resgate.
Uma ligação no smartphone, era o Carlos da portaria: "Senhor Alberto, Victória já o aguarda no saguão". Avisei que atrasaria devido ao trânsito e que pedisse desculpas. Não precisava pedir desculpas a quem eu pago, mas fiz por polidez.
Terminei meu expediente saindo do estúdio em direção ao flat, encontrar a Victoria. Por mais que o estúdio esteja em concordata, o luxo me é necessário. Mesmo atrasando salários, uma boa refeição é o mínimo que mereço. E funcionário é tudo igual, pagando em dia ou não, servirão com desdém. E quem desdenha quer comprar.
Sou um gentleman, mesmo. Levei-a para jantar! Um homem deve ter bons hábitos, até com pessoas da baixa. Fomos a um restaurante fino dos Jardins, próximo ao flat. O restaurante proporcionava discrição, pratos exóticos e sabores únicos. Essas acompanhantes geralmente são pobres, e como gosto de ver pobre se maravilhando! É minha pecha de bondade.
Victoria era uma jovem que se dizia estudante. Pele branca, normal, cabelos louros, como todos deveriam ter e curvas exemplares. Ela satisfez meus desejos. O que pedia ela atendia, como uma serva fiel. Senti que o preço, apesar de caro, era bem pago. Mas só pago bem às louras e brancas. Morenas valem menos. Negras, prefiro não solicitar. Meu pai me ensinou bem que não devemos nos misturar à criadagem.
Desde que me separei de minha quarta mulher, descobri que meretrizes eram mais baratas e convenientes. Afinal, já diz o ditado: "Pagamos às putas para irem embora, não para ter sexo.". Conveniente e barato. Mas esse barato me saiu caro.
No final da noite, a porta de Flat abriu. Entraram dois homens bem vestidos, negros, porém, grandes. A ponta de tesão que me surtiu, pensando em sacanagem, sumiu em segundos. Autorizados por Victoria, que me seduziu com pretexto de uma surpresa, logo me renderam e pediram para descer discretamente para a garagem. De lá, seguimos sem rumo. Eu encapuzado, eles rindo. Sequestro relâmpago de arquiteto falido finda em morte, eu sei... seria, então, meu fim?
(CONTINUA)
por Coronel Malaquias
Uma ligação no smartphone, era o Carlos da portaria: "Senhor Alberto, Victória já o aguarda no saguão". Avisei que atrasaria devido ao trânsito e que pedisse desculpas. Não precisava pedir desculpas a quem eu pago, mas fiz por polidez.
Terminei meu expediente saindo do estúdio em direção ao flat, encontrar a Victoria. Por mais que o estúdio esteja em concordata, o luxo me é necessário. Mesmo atrasando salários, uma boa refeição é o mínimo que mereço. E funcionário é tudo igual, pagando em dia ou não, servirão com desdém. E quem desdenha quer comprar.
Sou um gentleman, mesmo. Levei-a para jantar! Um homem deve ter bons hábitos, até com pessoas da baixa. Fomos a um restaurante fino dos Jardins, próximo ao flat. O restaurante proporcionava discrição, pratos exóticos e sabores únicos. Essas acompanhantes geralmente são pobres, e como gosto de ver pobre se maravilhando! É minha pecha de bondade.
Victoria era uma jovem que se dizia estudante. Pele branca, normal, cabelos louros, como todos deveriam ter e curvas exemplares. Ela satisfez meus desejos. O que pedia ela atendia, como uma serva fiel. Senti que o preço, apesar de caro, era bem pago. Mas só pago bem às louras e brancas. Morenas valem menos. Negras, prefiro não solicitar. Meu pai me ensinou bem que não devemos nos misturar à criadagem.
Desde que me separei de minha quarta mulher, descobri que meretrizes eram mais baratas e convenientes. Afinal, já diz o ditado: "Pagamos às putas para irem embora, não para ter sexo.". Conveniente e barato. Mas esse barato me saiu caro.
No final da noite, a porta de Flat abriu. Entraram dois homens bem vestidos, negros, porém, grandes. A ponta de tesão que me surtiu, pensando em sacanagem, sumiu em segundos. Autorizados por Victoria, que me seduziu com pretexto de uma surpresa, logo me renderam e pediram para descer discretamente para a garagem. De lá, seguimos sem rumo. Eu encapuzado, eles rindo. Sequestro relâmpago de arquiteto falido finda em morte, eu sei... seria, então, meu fim?
(CONTINUA)
por Coronel Malaquias
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Conversas de rodízio
- Aceita lombo?
- Então, o trabalho lá tá puxado, o encarregado é novo e aí
já viu, né?
- Ah, imagino. Lá no meu setor também, fora que nem estão
pagando o ordenado direito.
- Coraçãozinho,
senhor?
- Põe pra mim. Ah, sabe o Adamastor, o contínuo? Foi pego
com a boca na botija, na botija da Mariluz! Estavam peladinhos na escadaria!
- Fígado, mal passado. Aceita?
- Fígado, mal passado. Aceita?
- Quero sim. Ih, o Adamastor de novo? Esse pirralho tá que
tá hein... desse jeito, vai pra rua logo, logo.
- Costela, senhor.
- Tá bem macia?
- Tá sim, senhor.
- Me vê uma. Adoro costela.
Era tarde da noite, os dois médicos saíram saciados do Instituto Médico Legal. O assistente ficou lá, limpando a bancada de sangue. Deixou a carcaça do indigente para os cachorros da região.
Era tarde da noite, os dois médicos saíram saciados do Instituto Médico Legal. O assistente ficou lá, limpando a bancada de sangue. Deixou a carcaça do indigente para os cachorros da região.
Por: Reverendo Lezzagon
terça-feira, 20 de agosto de 2013
HUMOR CORROSIVO: Os maníacos
Um sádico, um masoquista, um assassino, um necrófilo um
zoófilo e piromaníaco estão sentados num banco de jardim, sem saber como ocupar
o tempo.
Diz o zoófilo:
- Vamos pegar um gato!
Diz o sádico:
- Vamos pegar um gato e torturá-lo!
Diz o assassino:
- Vamos pegar um gato, torturá-lo e matá-lo!
Diz o necrófilo:
- Vamos pegar um gato, torturá-lo, matá-lo e comê-lo!
Diz o piromaníaco:
- Vamos pegar um gato, torturá-lo, matá-lo, comê-lo e
atear-lhe fogo!
Diz o masoquista:
- Miau!
Por: Livro de Piadas sem capa comprado no Sebo do Messias
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Rima da Puta
Trampar de manhã é foda.
"Mas, trepar de manhã é que é foda".
Kellinha lamentava insistentemente.
Todo mundo tem o seu pesar.
Foda mesmo é ter que trampar.
Mas, de manhã não vale o que rende.
"Nem almocei, e já me assei a vulva".
Puta que o pariu! Mais um Rima da Puta.
Disse a menina, no meio do expediente.
Para o cliente, trepar de manhã é moda.
Se engana que goza, quem vende foda.
Mas, e a Puta?.... que o pariu! Ele não entende.
Passa pomada até de noitinha.
"Dar o dia inteiro é foda", diria Kellynha.
Foda é a moda do cliente, de transar de manhã.
por Coronel Malaquias
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