segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Dos Jardins do Éden ao Inferno - Parte 1

Na sexta, torcia para que o trânsito da 23 fosse acidente. Primeiro que um motoboy a menos seria um favor à cidade, segundo que, quando tem acidente, ao menos o transito flui após o resgate.

Uma ligação no smartphone, era o Carlos da portaria: "Senhor Alberto, Victória já o aguarda no saguão". Avisei que atrasaria devido ao trânsito e que pedisse desculpas. Não precisava pedir desculpas a quem eu pago, mas fiz por polidez.

Terminei meu expediente saindo do estúdio em direção ao flat, encontrar a Victoria. Por mais que o estúdio esteja em concordata, o luxo me é necessário. Mesmo atrasando salários, uma boa refeição é o mínimo que mereço. E funcionário é tudo igual, pagando em dia ou não, servirão com desdém. E quem desdenha quer comprar.

Sou um gentleman, mesmo. Levei-a para jantar! Um homem deve ter bons hábitos, até com pessoas da baixa. Fomos a um restaurante fino dos Jardins, próximo ao flat. O restaurante proporcionava discrição, pratos exóticos e sabores únicos. Essas acompanhantes geralmente são pobres, e como gosto de ver pobre se maravilhando!  É minha pecha de bondade.

Victoria era uma jovem que se dizia estudante. Pele branca, normal, cabelos louros, como todos deveriam ter e curvas exemplares. Ela satisfez meus desejos. O que pedia ela atendia, como uma serva fiel. Senti que o preço, apesar de caro, era bem pago. Mas só pago bem às louras e brancas. Morenas valem menos. Negras, prefiro não solicitar. Meu pai me ensinou bem que não devemos nos misturar à criadagem.

Desde que me separei de minha quarta mulher, descobri que meretrizes eram mais baratas e convenientes. Afinal, já diz o ditado: "Pagamos às putas para irem embora, não para ter sexo.". Conveniente e barato. Mas esse barato me saiu caro.

No final da noite, a porta de Flat abriu. Entraram dois homens bem vestidos, negros, porém, grandes. A ponta de tesão que me surtiu, pensando em sacanagem, sumiu em segundos. Autorizados por Victoria, que me seduziu com pretexto de uma surpresa, logo me renderam e pediram para descer discretamente para a garagem. De lá, seguimos sem rumo. Eu encapuzado, eles rindo. Sequestro relâmpago de arquiteto falido finda em morte, eu sei... seria, então, meu fim?

(CONTINUA)

por Coronel Malaquias

2 comentários:

  1. Azaléia Rodrigues26 de agosto de 2013 13:15

    Bem feito! É isso que dá ficar de putaria. Faço tratamento de DST há cinco anos por causa das escapadinhas do meu querido esposo.

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  2. Isso porque a senhora não leu a parte 2 da estória. Convido-a.

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