segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Guerra dos Sexos e outras batalhas

Manuel era um bom funcionário. Chegava cedo, saía tarde, puxava o saco da hierarquia e entregava suas tarefas com asseio e motivação. Mas tinha uma chefe cascuda. Doroteia era competente, mas tinha medo de perder o posto e, por isso, achacava o competente Manuel dia e noite. Pedidos esdrúxulos, prazos impossíveis, falta de reconhecimento, desprezo e trapaças. Mas Manuel, seguia firme, sem pestanejar: "Missão dada, missão cumprida", dizia com entusiasmo. Doroteia se irritava.

Pediu um aumento certo dia. Pediu uma folga certo dia. Pediu um assistente certo dia. E no outro dia pediu um copo d'água. Colecionava nãos.

Manuel era um bom marido. Chegava em casa com presentes, adorava a esposa! Carinhos intensos que terminavam em noites de amor. Mas tinha uma mulher carrancuda. Severina era do tipo "Eu mando, ele obedece". Manuel sentia-se pau mandando, mas fazia tudo pela família, sempre abaixo das mimices de sua mulher. Ela tinha medo de perdê-lo, portanto, dominara-o. Manuel, sempre presente e amoroso, nunca demonstrava sofrer. Severina se intrigava.

Pediu certa vez para ir jogar bola com os brothers. Pediu certo dia para tomar chope com os amigos. Pediu para ela fazer um capelete. E no outro dia, pediu um "Folhinha verde". Colecionava mais nãos.

Manuel era um filho exemplar. Cuidava da mãe, de suas doenças, crises e manhas. Sempre estava ao lado da progenitora, à qual  era grato pela vida. Arlete era implacável. Detestava todos que chegassem perto do filhinho. Era quarentão, mas ela ainda o via como garoto de calças curtas e não redava pé da ideia.  A velha, sempre a tratá-lo como criança, como dependente, como incapaz. Manuel sempre ao lado da velha. Sempre honrara pai e mãe, com sorriso largo! Arlete se irritava em não atingi-lo.

Mas Manuel tinha lá seus desvios.

Vira e mexe, precisa de um estravazzo, e a cada sexta vai em um prostíbulo distinto e diferente. Cada sexta com uma meretriz que lhe satisfaz a alma e preenche o que falta do coraçãozinho do senhor.

- Essa é a Caren, conhece da arte e tem um corpinho... como se vê... - dizia Martão, a cafetina.
- Linda, estonteante! Quero ela, por duas horas! - Emendou Manuel, suando frio...
- Leva ele pro quarto, Cacá. Arrebenta, meu filho! - bradou Martão ao casal.

Com a toalha no ombro, entrou no quarto, deitou a jovem e despiu-a. Passava a mão sobre todo seu sedoso corpo como se nunca houvesse visto mulher antes. "Quem dera nunca tivesse visto", pensara...

A certo momento, dirigiu-se a ela e perguntou:

- Posso te pedir qualquer coisa? Você faz o que eu te mandar, faz? Seja o que for?
- Claro, docinho, tudo pelo meu homem! - Respondia com voz de gata manhosa que ganhara o dobro do programa
- Faz "Folhinha Verde" pra mim?

E os dois se entrelaçaram num sexo tórrido e seivoso.

- Posso pedir o que quiser de novo? Posso, posso??? - Sussurou Manuel depois da gozada.
- Claro meu cavalo, meu jegue!

Manuel esperou. Respirou, pensou em todas as mulheres de sua vida e, olhando pra buceta de Cacá, bradou em sequência:

- Vai tomar no seu cu?
- Vai se fuder?
- Vai pra puta que o pariu????

Caca, atônita, emudeceu. Correu pra Martão, contou tudo:

- Ele ficou contigo 40 minutos e pagou-te 2 horas. Cliente bom! Contenta-te com a prata e goza no pau de outro! - Respondeu Martão, velha de guerra.

Manuel, aliviado, saiu do recinto com o sorriso largo abastecido. Afinal, homem também tem voz!

por Coronel Malaquias

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