quinta-feira, 17 de março de 2011

Quem nunca fez macumba?

mpoeirado e os móveis antigos deixavam a casa de dona Zulema ainda mais sombria. Macumbeira, feiticeira, senhora do destino, mãe dos poderes eram alguns dos apelidos que os habitantes da cidadela de Moate mais usavam para descrever a praticante de ciências ocultas.
Heleno trabalhava em uma repartição pública e há anos estava estagnado na mesma subserviente posição. Sonhava em subir na vida e, se fosse por cima de seu chefe seria melhor ainda.
Extremamente inteligente, perspicaz e articulado, Vargas era o supervisor da área. Extremamente limitado, vagaroso e ineficiente era Heleno, pífio perfeito para a posição subalterna que ocupava.
Heleno tinha inveja e alimentava um ódio mortal pelo chefe. Queria tomar o lugar dele, e vê-lo doente, pálido ou até morto, a sete palmos do chão.
Maquinou, maquinou e resolveu procurar a feiticeira Zulema.
- Tens que conseguir uma peça de metal antiga, pode ser um punhal. Também tens que conseguir uma galinha preta, quatro ovos de pato, linha de costura preta, vermelha, um pacote de farofa, um litro de azeite virgem e uma foto de seu desafeto. – Listou a velhota macumbeira.
- Pode deixar, vou à vendinha e consigo isso com facilidade. Quanto ao punhal, usarei um de meu falecido avô, que está em cima da mesa da sala, como enfeite. – Bradou Heleno, com felicidade.
- Este feitiço fará com que seu chefe desencarne, vá para o umbral dos diabos falecidos. Mas só tem um problema, para o “trabalho” dar certo, você tem que batizar o metal. Precisa encostar o metal na roupa ou em algum objeto pessoal de seu chefe. Essa é a parte mais difícil, meu filho.
Heleno comprou todos materiais e ficou pensando em como poderia encostar o metal do punhal em seu superior sem que ele percebesse. Subitamente teve uma idéia. Seria mais simples do que parece.
No dia seguinte, Heleno estava com o punhal no bolso. Como sempre cumprimentava Vargas pela manhã, pensou em esconder a peça na manga e somente encostar no ombro do chefe para batizar o objeto sagrado. Segundo a idosa ocultista, isto serviria para impregnar o objeto com as energias plasmáticas da vítima.
Heleno e Vargas se encontraram no elevador da empresa. Vargas esboçou um grande sorriso e dirigiu-se para dar um “abraço de bom dia” no seu empregado.
O elevador começou a subir lentamente. Heleno teve um surto maligno. Sacou a arma branca e deu 47 apunhaladas nas costas do chefe.
Sorriu aliviado. Agora estava seguro que a macumba iria funcionar.
Por: Reverendo Lezzagon

2 comentários:

  1. Aconselho, de coração. Quando forem, vocês leitores desse simplório coletivo, peçam nota fiscal. Caso nada de sobrenatural desejado aconteça, aceione o PROCOM. Obrigado.

    Coronel Malaquias

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  2. Muito bom o trabalho, dona Zulema nunca falha.

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