sábado, 5 de janeiro de 2013

Monstro


Posso ficar horas contemplando a bunda de uma mulher. Não existe nada mais perfeito.  Gosto de sentir sua firmeza, suas curvas, de apreciar a leve penugem que algumas apresentam. Gosto de cheirar, de morder, de tocar com a ponta da língua.  Perfeição.

Li, uma vez, que o “Monstro do Morumbi” era fissurado. Matou uma porrada de mulheres porque era tarado no rabo delas. Mas, ele também era veado e frequentava os travecos do centrão.

- Tá pensando em quê? – Deitada de bruços, ela estranha meu silêncio.

- No Monstro do Morumbi – Ajoelhado,  respondo sem tirar os olhos do rabo dela. Acaricio com o polegar, faço círculos, pressiono com cuidado. Ele se abre e recebe a ponta do dedo. Contrai-se.

- Quem é esse?
- Não conhece? Nunca ouviu falar?
- Hum-hum
- Um estrangulador...
- Ai, credo!
-...fissurado em bundas.
Ela ri. Vira-se para me encarar.
- Igual a você?

Coloco meu dedo em seus lábios.

- Eu não mataria por um rabo – respondo.
- Nem pelo meu?
- Nem pelo seu.
- Duvido – Responde, tornando-se a deitar de bruços. 
- Vem me matar- pede.

Ela grita obscenidades e me chama de safado, de vagabundo, de monstro e de monstro e de monstro e de monstro. Ela não conhece os monstros de verdade. Eu os conheço. Coloco mais força. Puxo os cabelos, estapeio a bunda, aperto o pescoço, mordo. Não tenho dó. Empurro o rosto dela contra o travesseiro e estoco forte. Castigo-a com o cinto. Coloco-a em posição incômoda e ignoro os apelos, esbofeteio-a no rosto, enfio minha mão em sua boca, sufocando-a. Belisco seus seios, mordo-a inteira. Sou monstro.

É assim, até não sobrar nada além de suor, cansaço, cheiros e cores.


Ela não diz nada. Levanta-se e vai ao banheiro. Ouço a música do chuveiro. De volta, deita-se ao meu lado. Diz que ficou com medo, mas, foi bom. 

Não respondo. Durmo pensando em meninas com máscaras de porco e bundas perfeitas. Sonho com o “Monstro do Morumbi” e suas mulheres estranguladas.


Por: Voltaire de Abreu

3 comentários:

  1. Ei, não sei por qual motivo, mas eu levei um "choque" lendo as primeiras partes, mas depois ficou bom. É cru! Bobagem é elogiar; se estou comentando, é sinal que gostei. Abraço!

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  2. Muito bom!Lembra R.Fonseca em sua melhor fase.Parabéns ao autor.

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