quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Força do hábito


Comprar jornal na banca, comer uma mulher gostosa e brindar com uma boa taça do néctar dos deuses. Essas eram as manias cultivadas, diariamente, há mais de 10 anos por um homem alto, de pele branca, mãos compridas e que atendia pela alcunha de Jacó.

“Eu sou o cara, como todas mesmo” ou “comigo é no papo reto” eram algumas das expressões usadas arrogantemente por nosso personagem com nome bíblico. Para alguns, Jacó era um boa-vida, para outros não passava de um michê qualquer. Contudo, de fato, ninguém sabia das intimidades desse homem.

Era quinta-feira e estava chovendo. Jacó correu para a viela e ficou à espreita. Viu uma beldade loira entrando no beco, tratou de apressar os passos e acertar com um pedaço de pau a cabeça da pobre infeliz.

Com expertise no ramo, colocou a bela adormecida na caçamba da Fiorino, estacionado na rua de trás. Chegou em casa e preparou o jantar. Com o facão decepou tenros pedaços da coxa e com uma tesoura, arrancou um pedaço do braço. Deu atenção especial ao escalpo da cabeça, retirando-o com um pequeno bisturi. Com um outro bisturi menor, e mais afiado, extraiu fatias do cérebro.

Preparou tudo em fogo brando, temperou com bom azeite e ervas finas.

Entrou em deleite com o delicioso e feminino jantar. Brindou com o copo cheio de sangue, escuro tal qual vinho tinto.

No dia seguinte, foi à banca de jornal e viu a notícia bárbara estampada em todas as capas. Tomou coragem e foi praticar seu próximo hábito.

Portanto, se você conhece alguém que compra jornal, diz que come mulheres e gosta de beber, é melhor repensar suas amizades.

Por: Bispo F.

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