segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O observador

Já era tarde da noite, Adamastor procurava, impaciente, algo bom para admirar com seu antigo telescópio. Passou por casas, prédios, portas, janelas. Quantas janelas...
Extremamente surpreso, achou a paisagem perfeita: era no prédio da frente, uma grande janela com a cortina aberta. Via com nitidez e detalhes uma jovem loira se despindo. Também podia avistar uma banheira, cheia de espuma e pronta a recepcionar tal beldade.
Adamastor se apaixonou. Virou um admirador secreto, um observador atento. Todos os dias contemplava sua deusa, com seus olhos biônicos. Presenciou cenas de nudez, transas, masturbações, festas, e tudo de mais inusitado que pode acontecer na vida de uma jovem solteira.
Descobriu tudo dela. Sua vida, sua agenda, seus horários. Via a loira almoçando, jantando, se trocando para ir à academia. Porém, era um admirador tímido, e não possuía coragem de tentar uma aproximação efetiva.
Era quinta-feira, a janela de Adamastor como sempre entreaberta, e a lente da luneta confidente para fora. Do outro lado da rua, Joyce tomava seu longo e espumante banho cotidiano. Alguém mexe na porta. A luneta apontada para a janela. Um homem de preto entra no apartamento. A cena acontece no ângulo frontal da luneta. Adamastor fica nervoso.
A loira é violentamente estuprada, asfixiada com o fio do telefone e esquartejada.
Adamastor pacientemente limpou o sangue das mãos, abriu a janela e olhou para o outro lado da rua. Ainda bem que não tinha ninguém olhando através de sua boa e velha luneta.

Por: Bispo F.

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