quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ao mestre, com carinho

Rashid tinha um ídolo: Carlos Alborghetti, o Dalborga. Cadeeeia nele!!! Gostava de repetir, imitando o mestre. Seu sonho era aparecer na tela de Dalborga. 

Numa noite de fevereiro, fez a primeira vítima. Estrangulou a prostituta com uma toalha parecida com a que o mestre usava sobre os ombros. Deixou um bilhete: “Contra vagaranha, use Fodal”.

No outro dia, esperou pelas manchetes. Nada. Resolveu matar mais um. Com um tarugo de madeira, partiu o crânio de um batedor de carteiras. “Contra vagabundo, use Fodal”, dizia o bilhete. Rashid passou a semana assistindo ao programa, mas não havia menção aos seus crime. Uma semana depois, preparou a emboscada para um vereador. Surrou, estrangulou e botou fogo. Ao lado do corpo: “Contra político safado, use Fodal”.

Dessa vez, houve repercussão em quase toda a mídia. Menos no programa de Dalborga. Rashid ficou enfurecido. Armado, invadiu uma creche com 28 criancinhas. Exigiu a presença de Dalborga. A polícia ameaçou endurecer as negociações. Ele executou uma professora. As autoridades recuaram. Foram ao Paraná e trouxeram Alborghetti num jatinho.

- O que você quer, seu...seu...seu...vaaagabundo!!! – Vociferou o mestre. Rashid entrou em êxtase.
- Xinga mais! – pediu.
- Vou xingar a suaaa...a suaaaa...a sua mãe!!
- Me maltrata, mestre, me maltrata!!! – Exigia, com lágrima nos olhos.
- Ô produção, eu não to entendendo nada. Esta bicha fica pedindo para eu maltratá-la, este filho da puta...este...este...este....ÉÉÉÉÉÉÉÉ!!!!

O meliante não conteve a emoção, caiu de joelhos e soltou o pequeno refém. Foi a deixa para o atirador de elite disparar a bala certeira, na cabeça. Caiu morto, numa poça de sangue e miolos.

Na TV, Dalborga comentava o caso e não poupava impropérios. Vagabundo, safado, malandro, viado, filho da puta, é....é...é...ÉÉÉÉÉÉ!!!!

Do outro lado da vida, Rashid sorria satisfeito, sentado no colo do capeta.

Por: Guinea Pig

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