sexta-feira, 25 de março de 2011

Um gênio de verdade

A névoa cobria aquela madrugada fria e estranha de quarta-feira. A passos largos, Osvaldir caminhava apressadamente, tinha uma pasta de couro na mão, trajava um paletó preto e calça marrom. Era mais um dia como todos os outros, e rumava ao ponto de ônibus, cabisbaixo e tentando tomar coragem para pegar mais 5 conduções.

Osvaldir tinha prestações para pagar, era pobre, feio, morimbundo, um condenado pelas situações da vida. Era tratado tal qual um cão, um esquecido, um borra-botas qualquer. Osvaldir se sentia menosprezado, pisoteado moralmente por todos à sua volta. Não tinha nem a atenção de sua esposa.

Alguns passos adiante, Osvaldir chuta um objeto pesado, feito de metal. Foi grande o espanto, quando o rapaz percebeu que era uma lâmpada mágica. Esfregou o objeto, como ensinam os filmes de ficção. No mesmo instante, uma fumaça branca rodeou Osvaldir e surgiu um ser mágico, flotando no ar.

- Bom dia Osvaldir, meu amo. Peça o que quiser e será atendido. Farei sua vida mudar de verdade. – Bradou o gênio.

- Mas, mas... não tô acreditando... Posso pedir o que quiser mesmo? – Perguntou, atônito, Osvaldir.

- Peça, mas saiba que é um pedido só. Somente um. – Respondeu a criatura com poderes mágicos.

- Então tá. Queria muito ser o centro das atenções. Queria que as pessoas olhassem para mim e abrissem passagem para minha pessoa. Queria ser tratado e bajulado pelos outros.

O gênio sacudiu os braços e um raio dourado surgiu, envolvendo o corpo inteiro de Osvaldir. As luzes rodopiavam no ar e iluminaram toda a pequena viela.

Minutos depois, Osvaldir acordou. O gênio tinha paralisado seus  braços, suas pernas e sua língua. A esposa de Osvaldir passou a carregar o estorvo para todos lados, numa cadeira de rodas. No ônibus, ele era o primeiro a entrar; no hospital era o primeiro a ser atendido; no escritório ganhou um cargo vitalício. Osvaldir virou o centro das atenções.

Depois disso, nunca mais se ouviu falar do tal gênio da lâmpada.

Por: Reverendo Lezzagon

4 comentários:

  1. Mandou bem, humor negro até o talo. Tem q botar pra fuder nessa literatura cheia de regras, de polidez... Parabéns!

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  2. Sou aleijado, mas adorei a estória! Final trájico hein!!!!!

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  3. Tragédia é esse seu português, caro mancebo...

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  4. KKKKK.... minha vida tá uma merda. Precisava de um genio desses.

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