quinta-feira, 10 de março de 2011

Repartição e humilhação pública

Darci trabalhava numa repartição pública. Era só mais um, entre os 97 funcionários. Era mais um que datilografava documentos, memorandos e comunicados.

- Darci, você é um inútil! Corre, Darci, não temos tempo! – Bradava Sérgio, chefe gordo, atarracado e com o semblante de bodegueiro.

- Mas, chefe, não é por aí, não faça isso. – Respondia Darci em tom choroso e macambúzio.

Os dias se passavam. A sala era quente. O ventilador de teto estava quebrado. As pressões continuavam e o cheiro de cigarro do ambiente provocavam enjôo e desgosto em Darci.

As provocações ultrajantes e o palavreado chulo eram constantes, dia após dia.

- Seu pedra! Estúpido! Fica o dia inteiro aí na cadeira e não faz nada! Vida boa!

- Se colocar uma tartaruga e o Darci lado a lado, a tartaruga ganha!

- Darci, você não anda bem, cara. – Comentou Astolfo, único amigo de repartição de Darci.

Mas num belo dia, Darci resolveu colocar um fim nessa situação de humilhação e selvageria. Foi à casa de seu tio e lá pediu um favor estranho.

No dia seguinte, chegou confiante no escritório do terror. Sérgio não conseguiu bradar seus xingamentos. Darci sacou um lustroso revólver calibre 38.
Descarregou o chico preto no peito e na cabeça do chefe.

Justo naquele dia tinham consertado o ventilador, que ajudava a espalhar o sangue pelo ambiente.

Darci colocou a arma ainda quente no colo, virou e tentou correr pra bem longe. Por alguns segundos tinha esquecido que usava cadeira de rodas desde a infância.

Por: Reverendo Lezzagon

3 comentários:

  1. Coitado do cadeirante. Mas foi boa, meteu bala nos cornos do gordo!!! kkkkkk

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  2. Trabalho num lugar escroto assim. E o pior é que é um jornal.

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  3. Mary Jane disse...
    Depois de tanto assédio moral, merceu o gordo.

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